Elton Zattar Guerra
O jogo de 2026 ganha forma — e os bastidores começam a pesar
por Elton Guerra, cientista politico
Divulgacao A política catarinense entrou de vez no modo pré-eleitoral. Movimentos que antes eram discretos agora ganham corpo, nomes e estratégia. E, como sempre, o que acontece em Brasília segue influenciando diretamente o tabuleiro local.
Antídio entra no jogo e fecha o tabuleiro
O deputado estadual e ex-prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, bateu o martelo: será candidato ao Senado em 2026 pelo MDB.
A decisão não é isolada — ela completa uma engrenagem política mais ampla. Antídio passa a ser peça-chave no projeto liderado por João Rodrigues, pré-candidato ao governo pelo PSD. A composição ganha musculatura com uma aliança robusta entre PSD, MDB e a federação União Progressistas (PP + União Brasil).

Na prática, o desenho começa a ficar claro: João Rodrigues ao governo, Carlos Chiodini como vice, e duas vagas ao Senado sendo ocupadas por Esperidião Amin (buscando reeleição) e Antídio.
Mas o movimento também carrega um recado político direto. Bolsonarista declarado, Antídio não esconde o incômodo com a possibilidade de um nome de fora — especialmente ligado ao núcleo do ex-presidente — disputar espaço em Santa Catarina. Mais do que candidatura, é demarcação de território.
Cassação em Joinville: precedente perigoso ou necessário?
A Câmara de Vereadores de Joinville cassou, no dia 8 de junho, o mandato do vereador Cleiton Profeta (PL), em decisão que repercutiu em todo o estado.
O episódio expôs fissuras partidárias. O PSD, que orientou voto contrário à cassação, não conseguiu unidade: houve abstenção e votos favoráveis, como os dos vereadores Kiko da Luz e Ascendino Batista.

O caso deixa uma questão incômoda no ar: a decisão abre um precedente perigoso ou estabelece um limite necessário?
Se por um lado a medida pode ser vista como resposta institucional, por outro levanta um debate sensível — quais serão os critérios daqui para frente? Haverá coerência ou seletividade?
A política local entra, definitivamente, em um terreno mais delicado.
Pesquisas sob suspeita e judicialização crescente
A semana foi marcada por mais um capítulo da crescente judicialização das pesquisas eleitorais.
No cenário nacional, Flávio Bolsonaro acionou o TSE contra a divulgação de levantamento do instituto Atlas-Intel, questionando metodologia e possível influência de conteúdos recentes no resultado. A decisão liminar do ministro Kássio Nunes Marques suspendeu a divulgação — agora, o tema será analisado pelo plenário.
Já em Santa Catarina, o foco recai sobre o instituto Veritá. A pesquisa divulgada levantou questionamentos técnicos relevantes, como inconsistências amostrais e uso de dados de municípios fora do estado.
O problema é maior do que um caso isolado. Quando pesquisas passam a ser questionadas com frequência, o risco não é apenas jurídico — é de perda de confiança pública. E, sem confiança, o instrumento deixa de informar e passa a confundir.
Governo federal tropeça — e Santa Catarina reage
Mais uma vez, uma decisão do governo federal gerou desgaste em Santa Catarina. A tentativa de antecipar a proibição da pesca de arrasto da tainha provocou forte reação política e social no estado.
A medida atingiu diretamente uma atividade tradicional e economicamente relevante para o litoral catarinense. O resultado foi previsível: pressão política, críticas generalizadas e mobilização de lideranças locais.
Diante da repercussão negativa, o governo recuou.
O episódio reforça um padrão que tem se repetido: decisões tomadas sem leitura adequada do impacto regional acabam gerando desgaste desnecessário — especialmente em estados com forte identidade econômica e cultural como Santa Catarina.
Banco Master, Vorcaro e o efeito dominó em Brasília
O caso envolvendo o Banco Master continua produzindo desdobramentos e já entrou de vez no radar político nacional.
A delação de Daniel Vorcaro trouxe elementos que, embora ainda estejam no campo das investigações, ampliam a pressão sobre figuras próximas ao núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. O tema deixou de ser apenas econômico e passou a ter impacto direto no ambiente político.
Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio pode gerar um efeito dominó — atingindo reputações, influenciando decisões estratégicas e, principalmente, contaminando o debate eleitoral.




COMENTÁRIOS