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Léia Alberti

Entre o instinto e a razão

qual a melhor correção

Bora Coprodução
Entre o instinto e a razão Bora Coprodução

Quem tem filhos sabe: eles aprontam. Às vezes é uma resposta atravessada, uma mentira aparentemente pequena, uma tarefa ignorada ou uma regra descumprida. Faz parte do crescimento. Crianças e adolescentes estão aprendendo a viver em sociedade, a lidar com limites e a entender que suas escolhas têm consequências. E é justamente aí que começa um dos maiores desafios da maternidade e da paternidade: como corrigir sem ferir, orientar sem sufocar e educar sem perder a conexão.


Confesso que, como mãe, muitas vezes meu primeiro impulso é proteger. Talvez seja algo instintivo. A vontade de minimizar a punição, de explicar o contexto, de lembrar que eles ainda estão aprendendo. O coração materno costuma encontrar mil justificativas antes de encontrar uma consequência. Enquanto isso, muitas vezes os pais parecem enxergar a situação de forma mais objetiva. Menos emoção, mais racionalidade. E, por mais difícil que seja admitir, essa racionalidade frequentemente tem seu valor. Nem sempre o colo é o que ensina. Às vezes, é justamente o limite.


O problema é que encontrar esse ponto de equilíbrio entre proteção e correção nem sempre é simples. O diálogo entre pai e mãe pode ficar tenso quando as opiniões divergem sobre a forma de agir. Um acha que a conversa basta. O outro acredita que é preciso restringir privilégios. Um prefere esperar a poeira baixar. O outro quer resolver na hora. E, no meio dessa diferença de perspectivas, está o filho observando tudo.


Talvez por isso uma das lições mais importantes seja lembrar que os pais podem discordar, mas precisam evitar transformar essa discordância em espetáculo. Quando a divergência acontece na frente dos filhos, existe o risco de o foco sair completamente do erro cometido. A reflexão sobre a própria atitude dá lugar à observação da discussão dos adultos. Rapidamente, o assunto deixa de ser o comportamento que precisa ser corrigido e passa a ser quem está certo ou errado entre pai e mãe.


Isso não significa que os pais devam pensar igual o tempo todo. Pelo contrário. A riqueza está justamente em reunir sensibilidades diferentes na construção da educação dos filhos. O que faz diferença é conversar antes, alinhar depois e, sempre que possível, apresentar uma posição conjunta. Não porque um precise vencer o outro, mas porque os filhos precisam enxergar segurança e coerência nas referências que têm dentro de casa.


Educar nunca foi uma tarefa para os fracos. Exige paciência, firmeza, humildade e, muitas vezes, a capacidade de reconhecer que talvez o outro esteja vendo algo que nós não conseguimos enxergar naquele momento. Entre o instinto da proteção e a necessidade da correção existe um caminho estreito, construído com diálogo. E talvez nunca tenha sido tão importante percorrê-lo. Afinal, os filhos continuarão aprontando. Mas nós, pais, continuaremos aprendendo também. Afinal, ninguém nasce sabendo educar. Aprende-se um dia de cada vez, entre saltos e tênis.



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