O pioneirismo esquecido de Paula Mayerle Wulf na Câmara
A segunda mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo municipal, em 1961, acabou sendo quase esquecida pelo tempo
Paula, à esquerda: pioneirismo esquecido/ Memória CVJ O ano era 1961. Joinville vivia os dias da 4ª Legislatura da Câmara de Vereadores, e o prefeito Helmuth Fallgatter era recém-empossado. A cidade já tinha visto uma mulher assumir o posto de vereadora quando Matilde Amin Ghanem se elegeu no pleito de 1955. No entanto, a segunda mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo municipal acabou sendo quase esquecida pelo tempo.
É essa história de pioneirismo que o Memória CVJ faz agora questão de resgatar.
Paula, a vereadora
Nas eleições de 1958, Paula Mayerle Wulf decidiu se candidatar a uma vaga de vereadora pela UDN. Com 608 votos, ficou na suplência do partido. A oportunidade surgiu no início de 1961, quando o então presidente da Câmara, Pedro Colin, precisou viajar aos Estados Unidos para um procedimento cirúrgico. Com alguns suplentes já convocados, a próxima da lista era Paula. Ela assumiu a cadeira no dia 7 de fevereiro daquele ano, exercendo o mandato até o retorno do titular, em maio.
Raízes e trajetória de vida
Nascida em 1898, Paula pertencia a uma família bem conhecida em Joinville. Seu avô, Pedro Mayerle, era o industrial responsável por fabricar o “Mayerle Boonekamp”, uma bebida famosa na cidade.
Desde a juventude, Paula destacou-se pela dedicação. Em 1910, como aluna do antigo “Collegio Municipal de Joinville”, prestou seus exames finais no dia 3 de dezembro.
Naquela época, os melhores alunos eram aprovados “plenamente”, seguidos pelos aprovados “simplesmente” e, por fim, os reprovados. Paula, com seu empenho, garantiu a aprovação entre os “plenamentes”.
Aos 19 anos, ela se casou com o engenheiro civil Karl Wulf. Na carreira profissional, Paula primeiro trabalhou por 35 anos na empresa de seu parente, Jorge Mayerle.
Posteriormente, ela abriu seu próprio negócio: a Livraria Avenida, localizada na Avenida Getúlio Vargas. Paula veio a falecer em 1990, encerrando seus 91 anos de uma vida ativa e bem vivida.
O resgate de um legado
O mandato de Paula acabou ficando nas entrelinhas da história. Tanto que, quando Teresa Campregher Moreira assumiu seu mandato na Câmara, no distante ano de 1989, acreditava-se haver registro de apenas uma vereadora a ocupar o posto antes dela (Matilde Ghanem). A história de Paula, contudo, é a prova de que o movimento era contínuo: passo a passo, mais mulheres buscavam ser protagonistas na condução da cidade.
Para imortalizar seu nome, em 1995, o vereador Luiz Carlos de Freitas propôs homenageá-la denominando uma via no bairro Parque Guarani. Na justificativa, o parlamentar citou o trabalho de Paula na empresa de Jorge Mayerle e sua atuação como proprietária da livraria. Ele ignorava, porém, que a homenageada também havia ocupado uma cadeira naquela mesma Casa.
Detalhes à parte, o projeto foi aprovado e transformou-se na Lei nº 3.216/1995, gravando definitivamente no mapa de Joinville o nome de sua segunda vereadora.




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