Ciclo sobre fibromialgia reforça avanços no tratamento e nos direitos dos pacientes
O encontro, nesta sexta, 20, reuniu profissionais da saúde, pacientes, lideranças regionais e representantes do poder público para debater diagnóstico, tratamento e políticas públicas voltadas às pessoas que convivem com a síndrome
Divulgacao O ciclo de eventos sobre fibromialgia promovido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) teve início nesta sexta-feira (20), em Maravilha, reunindo profissionais da saúde, pacientes, lideranças regionais e representantes do poder público para debater diagnóstico, tratamento e políticas públicas voltadas às pessoas que convivem com a síndrome. O evento foi realizado pela Comissão da Saúde e Escola do Legislativo deputado Lício Mauro da Silveira.

O deputado Maurício Peixer (PL) (foto), propositor da iniciativa, destacou que a proposta do ciclo é levar informação diretamente às comunidades em todas as regiões do estado. “Em 2026 estamos colocando em prática aquilo que planejamos: chegar às pessoas em todos os cantos de Santa Catarina para que elas tenham conhecimento, entendimento e possam acompanhar os avanços nos tratamentos e também nos direitos que conquistaram.”
Segundo o parlamentar, a mobilização tem como objetivo ampliar a visibilidade da fibromialgia e combater a discriminação enfrentada pelos pacientes. “Temos quase 150 mil pessoas com fibromialgia em Santa Catarina que precisam conhecer seus direitos e saber o que está sendo feito por elas. É uma doença invisível, e muitas vezes a dor é desacreditada, inclusive dentro da própria família.”
Peixer também destacou a legislação que reconhece pessoas com fibromialgia como pessoas com deficiência (Lei nº 18.928/2024) para fins legais e a criação de instrumentos de identificação, como a carteirinha e o uso do cordão de girassol. “A pior coisa é a discriminação por falta de conhecimento. Muitas vezes a pessoa parece saudável, mas enfrenta uma dor intensa. A identificação ajuda a garantir direitos como prioridade em filas e estacionamento. Com a divulgação e a legislação, a sociedade começa a compreender melhor o que é a fibromialgia.”
Durante o encontro, a professora e pesquisadora Flávia Rigo apresentou dados técnicos sobre a fisiopatologia da síndrome e as perspectivas terapêuticas, com destaque para o uso da cannabis medicinal no tratamento da dor crônica. “A fibromialgia envolve diversos sintomas, como dor generalizada, ansiedade e insônia. A cannabis tem se mostrado uma ferramenta farmacológica importante, com evidências científicas indicando benefícios no controle da dor e de sintomas associados.”
Ela também destacou a atualização das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ampliou a possibilidade de prescrição para diferentes patologias. “Ainda enfrentamos desafios, principalmente a falta de informação entre profissionais e pacientes, mas o avanço regulatório e o aumento das pesquisas tendem a trazer mais segurança e acesso ao tratamento.”
A fisioterapeuta Kálita Silveira Nunes reforçou a necessidade de uma abordagem integral e multidisciplinar no cuidado às pessoas com fibromialgia. “No Brasil ainda temos uma cultura muito centrada na medicação, mas os tratamentos precisam considerar o paciente de forma biopsicossocial. O exercício físico, a psicoterapia, a orientação farmacêutica, a nutrição e até a avaliação odontológica têm papel importante na melhora da qualidade de vida.”
Segundo ela, não existe uma fórmula única para o tratamento. “A melhor estratégia é aquela que funciona para cada paciente, e isso depende da continuidade do cuidado e da integração entre os profissionais de saúde e a pessoa atendida.”
A presidente da Associação dos Fibromiálgicos de Maravilha (Afibromar), Caciara Regina de Souza, relatou a importância do fortalecimento das redes de apoio e da disseminação de informação. “A fibromialgia é uma doença invisível que muitas vezes nos isola. Esses eventos ajudam a ampliar o conhecimento, promover empatia e garantir direitos, permitindo que possamos viver com mais qualidade.”
A programação também destacou a relevância de abordagens multidisciplinares no manejo da síndrome, considerada uma condição crônica associada a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central e com impactos significativos na qualidade de vida.
O ciclo promovido pela Alesc segue ao longo do ano com novos encontros regionais e estadual, ampliando o debate e o acesso à informação em diferentes municípios catarinenses.
• 30 de março – Seminário Regional em Ituporanga
• 27 de abril – Seminário Regional em Jaraguá do Sul
• 11 de maio – Seminário Estadual em Joinville
• 15 de junho – Seminário Regional em São Bento do Sul




COMENTÁRIOS