Plenário da Câmara de Vereadores de Joinville cassa mandato de Cleiton Profeta (PL)
Sessão de julgamento por quebra de decoro parlamentar resultou na cassação do vereador por 13 votos, mínimo necessário para perda do mandato
Profeta está cassado por 13 votos pela aceitação da denúncia protocolada na Casa pelos diretórios estadual e municipal do partido Novo. O Plenário da Câmara de Vereadores de Joinville concluiu há pouco a votação da denúncia por quebra de decoro do mandato do vereador Cleiton Profeta (PL). Profeta está cassado por 13 votos pela aceitação da denúncia protocolada na Casa pelos diretórios estadual e municipal do partido Novo.
Dois votos foram pela absolvição do parlamentar e três vereadores se abstiveram de votar. A sessão de julgamento, que marcou a reta final do processo iniciado em março, mobilizou os gabinetes e atrai expressiva atenção da comunidade joinvilense.
Votaram pela cassação 13 vereadores: Alisson, Érico Vinicius, Neto Petters e Vanessa Venzke Falk (os quatro do partido Novo); Adilson Girardi, Henrique Deckmann e Pelé (os três do MDB); Kiko da Luz e Pastor Ascendino Batista (ambos do PSD); Mateus Batista (União Brasil); Liliane da Frada (Podemos); Lucas Souza (Republicanos); e Vanessa da Rosa (PT).
Dois parlamentares votaram pela absolvição: Instrutor Lucas e Wilian Tonezi (ambos do PL). E se abstiveram da votação três vereadores: Brandel Junior (Republicanos), Diego Machado (PSD) e Tânia Larson (União Brasil). O próprio Cleiton Profeta (PL) não votou por ser o acusado.
O rito da sessão de julgamento seguiu o Decreto-Lei nº 201/1967. O número mínimo de votos para a cassação era de exatamente 13. O número corresponde a dois terços do total de parlamentares da Casa (que tem ao total 19). Esse é o chamado quórum qualificado para processos desse tipo. Caso acontecesse de a votação ficar em 12 votos favoráveis, Profeta seguiria no cargo.
Com a cassação, Profeta tende a perder os direitos políticos por oito anos. Sua defesa já manifestou que deve ir para os tribunais requerer a anulação do processo e pleitear um retorno de Profeta às funções parlamentares.
Para o seu lugar, deve ser chamado o suplente Cassiano Ucker (PL), que somou 3.017 votos nas eleições de 2024.
Plenário lotado e mobilização digital
A sessão ocorreu sob forte clima de mobilização popular. As galerias do Plenário foram tomadas por um grande público, muitos deles apoiadores de Cleiton Profeta, que acompanharam os trabalhos portando cartazes e manifestando-se com o uso de vuvuzelas.

O interesse pelo julgamento também se refletiu nos canais digitais do Legislativo. Mais de 500 internautas acompanharam simultaneamente a transmissão ao vivo pelo canal da Câmara no YouTube, gerando debate intenso no chat da plataforma.
Durante a fase de discussões em plenário, três parlamentares utilizaram a tribuna para expressar seus argumentos. Wilian Tonezi discursou em defesa de Profeta, argumentando favoravelmente à absolvição do colega de partido e alegando que o processo é uma perseguição contra a postura incisiva de fiscalização do vereador contra o Poder Executivo.
Neto Petters manifestou-se contrariamente ao parlamentar denunciado, defendendo a perda do mandato em razão do que entendeu como postura contínua de desrespeito do vereador a colegas, citando ao menos quatro ocasiões em que isso teria acontecido.
Por fim, Henrique Deckmann também subiu à tribuna para se posicionar contra Cleiton Profeta pelo que chamou de “postura reiterada” de conflito contra os demais parlamentares.
Defesa questiona processo

Em suas manifestações, a defesa de Cleiton Profeta centralizou a estratégia na contestação técnica do rito processual. Os defensores questionam a legalidade do processo sob a alegação de parcialidade por parte do relator da Comissão Processante, o vereador Érico Vinicius (Novo). Segundo a tese defensiva, a condução dos trabalhos estaria comprometida pela falta de isenção.
Entenda o caso
O processo que pode culminar na perda do mandato de Cleiton Profeta teve início em março deste ano, quando o Plenário da Câmara aceitou a denúncia por 14 votos a 2. A representação foi protocolada conjuntamente pelos diretórios estadual e municipal do partido Novo.
As acusações que pesam contra o parlamentar envolvem quebra de decoro parlamentar motivada por supostas ofensas verbais proferidas contra outros vereadores, provocação de tumultos durante as sessões plenárias e por relatos de suposto avanço físico contra outro integrante do parlamento.
Para apuração dos fatos, foi formada uma Comissão Processante por meio de sorteio público em Plenário. O colegiado foi presidido pelo vereador Adilson Girardi (MDB), tendo Érico Vinicius (Novo) como relator e Brandel Junior (Republicanos) como membro.






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