Elton Zattar Guerra
Política Real
Entre Migrações, Crises e Articulações: Santa Catarina em Modo Eleição
DivulgacaoO cenário político catarinense entra, definitivamente, no modo pré-eleitoral. As movimentações partidárias, as trocas de legenda e os conflitos internos revelam que 2026 já está sendo disputado nos bastidores. Abaixo, os principais movimentos da semana.
O Desmonte do PODEMOS e o Efeito Dominó

O PODEMOS atravessa um momento delicado. O partido perdeu dois importantes puxadores de votos: o ex-prefeito de Palhoça, Camilo Martins (foto), que migrou para o PL, e o deputado de Lages, Lucas Neves, que se filiou ao Republicanos. Na tentativa de conter o enfraquecimento, a direção trabalhou para evitar a saída de Carlos Humberto e, ao mesmo tempo, articulou a ida de Fabrício Oliveira para o Republicanos. Em Camboriú, também foi costurada a filiação do deputado Júnior Cardoso. No União Brasil, o clima também não é dos melhores. O deputado evangélico de Blumenau, Marcos da Rosa, aceitou convite do PL. Já Jair Miotto, em conflito com Narcizo Parisotto, também avalia mudar de legenda. O resultado é claro: o PL avança enquanto partidos médios perdem musculatura.
O Cerco ao Vereador Profeta
Em Joinville, o mandato do vereador Cleiton Profeta vive seu momento mais crítico. Após passar pelo processo de “fritura” interna, agora enfrenta o “cozimento” na panela de pressão política. Na semana passada, surgiram denúncias de que o parlamentar teria ofendido e coagido outro vereador. O episódio gerou nota de repúdio do MDB, partido do vereador Henrique Deckmann. O NOVO, que já mantém relação conflituosa com Profeta, solicitou a abertura de Conselho de Ética. Nos bastidores, há quem trabalhe pela cassação. O jogo agora é de resistência: ou o vereador reorganiza sua base, ou pode se tornar o primeiro grande caso político de 2026 em Joinville.
A Reentrada de Dário e o Reequilíbrio da Centro-Esquerda
O ex-prefeito e ex-senador Dário Berger (foto) dá sinais claros de que voltou ao jogo. A nomeação de seu irmão, Djalma Berger, para o conselho da Itaipu Binacional, foi o gesto político que selou sua articulação. Nos bastidores, cresce a possibilidade de Dário disputar o Senado ao lado de Décio Lima, do PT. Esse movimento vai dando um tom mais “azulado” e menos “vermelho” à chapa da centro-esquerda, que ainda pode contar com Gelson Merisio como possível candidato ao governo. Trata-se de uma tentativa clara de ampliar alianças e reduzir rejeições.
O MDB e a Arte de Sobreviver ao Poder
O MDB segue se movimentando com método. Além de percorrer o estado ouvindo militantes e lideranças, promoveu uma articulação em Brasília. Ao todo, 16 diretórios assinaram um documento defendendo independência em relação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na prática, isso garante autonomia aos estados para escolherem seus caminhos: direita, esquerda ou centro. Mais do que ideologia, o MDB pratica pragmatismo. O objetivo é claro: continuar relevante, grande e decisivo no cenário nacional. É a velha política profissional em pleno funcionamento.
Napoleão Bernardes Avança no Norte do Estado
Os movimentos do ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes (foto), na região de Joinville se intensificam. Nesta semana, recebi a visita do ex-prefeito de Penha, Evandro Dos Navegantes, atualmente assessor parlamentar de Napoleão. A pauta foi eleitoral. Evandro relembrou a eleição passada, perdida por margem apertada, e confirmou: será candidato novamente em 2028, agora mirando a vitória.
A Política em Modo Sobrevivência
Mais do que ideologias, o que move hoje o tabuleiro catarinense é a lógica da sobrevivência. Em um cenário cada vez mais fragmentado, partidos buscam tamanho, líderes procuram espaço, mandatos tentam garantir proteção e projetos políticos lutam por viabilidade. Poucos se dedicam, de fato, à construção de programas consistentes. Muitos, ao contrário, concentram esforços na formação de alianças circunstanciais, moldadas mais pela conveniência do momento do que por afinidades reais. O eleitor ainda não entrou em campo. A disputa formal sequer começou. Mas, nos bastidores, os jogadores já estão correndo, ocupando posições, fechando acordos e marcando território. E, como sempre acontece na política, quem errar o passo agora pode pagar caro mais adiante. Na política real, não vence quem grita mais alto, nem quem domina as redes sociais por alguns dias. Vence, quase sempre, quem se organiza melhor, constrói bases sólidas e sabe transformar estratégia em resultado.




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