Elton Zattar Guerra
Bastidores quentes, alianças instáveis e xadrez em movimento
Entre cobranças, disputas internas, trocas de lado e articulações nacionais, quem lê o jogo antes, sai na frente.
DivulgacaoO ano político mal começou e já deixou claro que 2026 não será para amadores. As peças se movem cedo, em velocidade alta e com pouca margem para erro. Quem piscar, perde espaço.
Plenário quente logo na largada
A Câmara de Joinville voltou aos trabalhos mostrando que a base do governo não está disposta a engolir sapo. Deckmann, Lucas Souza e Tania Larson cobraram o Executivo sem rodeios. Quando aliados começam o ano no modo “cobrança”, é porque o motor da gestão está engasgando.
E Diego Machado foi além: expôs o desconforto com o NOVO e com a aproximação com o PL. O recado foi claro — Adriano é maior que o partido, e o partido não sabe o que fazer com isso. O NOVO vive um dilema: ou se adapta ao tamanho do prefeito, ou continuará tropeçando na própria rigidez.
A política voltou. E voltou sem freio.
PL empurra, PSD agradece
O PL conseguiu transformar Cleiton Profeta em problema interno — e, paradoxalmente, em ativo político. Ao tentar expulsá-lo, o partido o valoriza. Profeta cresce justamente porque o PL tenta diminuí-lo.

Enquanto isso, João Rodrigues abre o PSD com tapete vermelho e projeto pronto: candidatura a deputado federal. Se o PL não perceber rápido, vai acabar entregando um deputado de bandeja ao PSD.
O efeito dominó de Jorginho
A movimentação de Jorginho Mello ao trocar o MDB por Adriano Silva foi mais que uma escolha: foi um recado. Ele redesenhou o tabuleiro, empurrou o MDB para os braços de João Rodrigues e levou o União Progressistas junto.
O PSD aproveita o vácuo e articula a vinda de deputados do PL. Já o MDB vive um dos momentos mais frágeis da sua história recente: isolado, sem rumo e sem voz. A pergunta que ninguém responde é simples: a bancada na Alesc seguirá unida ou cada um buscará seu próprio bote salva-vidas.
O xadrez de Kassab
No cenário nacional, Kassab joga em outro nível. Constrói um PSD que conversa com governadores de perfis distintos — Ratinho Jr., Eduardo Leite, Caiado — enquanto observa Zema no NOVO e Flávio Bolsonaro isolado.

Fragmenta, confunde e ocupa espaço. E, ao mesmo tempo, mantém três ministérios no governo Lula. Quem vê divisão no PSD, não entendeu o jogo: é divisão controlada. É estratégia.
Kassab não joga dama. Joga xadrez.
Quinta-feira de poder em Joinville
A troca de comando da AMUNESC será mais que solenidade. Será palco, vitrine e teste de força. Adriano passa o bastão para Dr. Caio, mas o que realmente importa é quem circula, quem conversa e quem se posiciona.
Com o governador presente e a posse da AJORPEME à noite, Joinville vira centro político por um dia. E, em ano pré-eleitoral, um dia pode valer muito.
Valdemar aperta, Carol resiste — e o PSD observa
Valdemar Costa Neto tenta convencer Carol De Toni a abrir mão do Senado para ser vice de Jorginho. A oferta é típica: ganha agora, promete depois. Mas Carol não parece disposta a trocar protagonismo por promessa.

Nos bastidores, cresce a leitura de que ela pode migrar para o PSD, onde teria estrutura, espaço e projeto. Valdemar pressiona. Carol resiste. E Kassab, como sempre, observa o tabuleiro com calma de quem sabe esperar a peça certa cair no colo.
Jair pula do MDB em Jaraguá
A saída de Jair Franzner do MDB não surpreende. O partido virou um campo minado interno, e governar ficou mais difícil do que deveria. A debandada do MDB em Santa Catarina é silenciosa, mas constante — e cada saída pesa.
Agora, PSD, União Progressistas e PL observam. Jair virou ativo disputado. O MDB, mais uma vez, perde sem reagir.
O ano começa com base inquieta, partidos se reorganizando e lideranças testando limites. Na política, quem não se move, é movido. E, na Política Real, o que hoje é bastidor, amanhã vira fato consumado.



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