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Laercio Beckhauser

SAUDADE — O ECO QUE SE RECUSA AO SILÊNCIO

A Saudade

Laércio Beckhauser
SAUDADE — O ECO QUE SE RECUSA AO SILÊNCIO SAUDADE — O ECO QUE SE RECUSA AO SILÊNCIO

SAUDADE — O ECO QUE SE RECUSA AO SILÊNCIO

Há palavras que não se deixam aprisionar em definições; recusam o rigor frio dos dicionários para habitar, com soberania, o território íntimo da alma.

Saudade é uma dessas palavras raras.
Não se explica — sente-se.
Não se traduz — experimenta-se.

Saudade não é simples ausência.
É uma presença invisível, persistente, quase teimosa.
É o que fica quando tudo parece ter ido.
É o passado que, em vez de se despedir, decide permanecer — não como sombra, mas como substância viva da memória.

No grande jardim da existência, a saudade ergue-se como uma árvore ancestral.
Suas folhas são lembranças que sussurram ao vento do tempo; seus galhos, histórias que se entrelaçam; e suas raízes — profundas e silenciosas — sustentam a arquitetura invisível do que somos.
Arrancá-la seria mutilar a própria identidade. Por isso, não se arranca: cultiva-se.

Há, nela, uma beleza grave — quase sagrada.
Não a beleza expansiva da alegria, mas aquela que se revela no recolhimento, na pausa, no olhar que se perde além do horizonte visível.
A saudade é a poesia dos intervalos, o murmúrio dos instantes que já foram, mas ainda ecoam.

Quem escapa dela?
O amor que se transfigurou em lembrança, o riso que ficou suspenso no tempo, a casa que já não existe — mas permanece intacta dentro de nós.
A saudade não bate à porta: ela já mora em nós.
E, curiosamente, é ela que nos humaniza — pois só sente saudade quem viveu com intensidade e amou com verdade.

Entretanto, como toda força sutil, exige equilíbrio.
Quando não compreendida, pode tornar-se âncora — pesada, imóvel — aprisionando o presente nas correntes do ontem.
Por isso, a sabedoria não está em negá-la, tampouco em render-se a ela, mas em dialogar com ela.
Transformá-la.

Que a saudade seja ponte, jamais cárcere.
Que ligue o que fomos ao que ainda ousamos ser.
Porque, no íntimo, ela é um testemunho silencioso de que algo valeu — e muito.
É a assinatura invisível das experiências que nos moldaram.

Assim, a saudade permanece:
não como dor que corrói,
nem como alegria que explode,
mas como estado de espírito — uma geografia sensível onde o tempo se curva e o coração aprende, com dignidade, a continuar.

E talvez, no fim de tudo, reste apenas esta indagação — não para ser respondida, mas para ser sentida:

Se a saudade nos fere com tanta delicadeza, não será ela a prova mais nobre de que, em algum instante da existência, tocamos o sublime?

Ah… que saudade de múltiplas saudades.

By: www.laerciobeckhauser.com
#lbw #saudade #saudades #beckhauser




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