Wagner Dias - PodMorar

Vida de Corretor

O caminho é um processo


Vida de Corretor

Havia um tempo em que comemorar uma venda significava um lanche de um real, daqueles carrinhos simples que perfumavam a rua no fim da tarde. Para Ricardo Seve, aquele lanche tinha gosto de vitória. Não porque era pouco, mas porque vinha depois de muito “não”, de muitas portas fechadas e de uma infância onde a escassez não era conceito, era rotina.

Ricardo veio de uma família humilde, dessas em que o dinheiro precisa ser esticado até o último centavo e onde o futuro, muitas vezes, parece pequeno demais para caber sonhos grandes. Casa de madeira, pai pedreiro, mãe batalhadora. Almoçar fora só aconteceu aos quinze anos, e nem foi em família. Foi num passeio da escola, quase como um vislumbre de um mundo que parecia distante. Quebrar a crença da falta, ele conta, não foi simples. Escassez não sai do corpo com discurso bonito. Ela gruda na mente, molda decisões, limita passos.

Talvez por isso Ricardo tenha escolhido estudar as pessoas antes de vender imóveis. Tornou-se perito em Programação Neurolinguística e mergulhou em mentorias. Não para parecer forte, mas para consertar por dentro aquilo que a vida tinha amassado cedo demais. Ele aprendeu que ninguém sustenta crescimento externo com estruturas internas rachadas. Alguns anos de preparação, somado a muitos anos de experiência com negociação em grandes empresas, deram a base para criar o método SHIFT, um treinamento de alto impacto em vendas, mas, antes de tudo, um ajuste de mentalidade.

O mercado imobiliário entrou na vida dele como um campo duro. Ao contrário do que muitos imaginam, não é terra fácil. É um lugar onde o “não” é frequente e o dinheiro não vem com regularidade. Uma comissão alta pode chegar, sim, mas sem preparo vira armadilha. O erro clássico, segundo Ricardo, é achar que uma grande venda resolve a vida. Resolve o mês. Depois, se não houver continuidade, o ciclo da escassez volta a bater à porta, agora disfarçado de conforto temporário.

Entre um lanche de um real e a primeira viagem à Disney com os filhos, existe um filme inteiro. E ele passa rápido na cabeça de Ricardo quando lembra do dia em que levou a filha adolescente e o filho pequeno para conhecer o parque. Não era apenas sobre viajar. Era sobre romper um destino que parecia traçado. Era sobre olhar para trás e perceber que aquele menino de casa simples tinha ido longe. Três viagens depois, a emoção continua a mesma, porque a memória do ponto de partida nunca foi apagada.

Mas talvez a virada mais silenciosa esteja nos hábitos pequenos. Ricardo fala com convicção sobre gratidão, não como frase de efeito, mas como prática diária. Todas as noites, um alarme toca no celular lembrando de agradecer por cinco coisas simples do dia. Um banho quente. Um almoço em família. Uma boa conversa. Ele acredita que reclamar é dar marcha à ré na própria vida. Cada murmúrio, um passo para trás. Cada gratidão, um ajuste fino no rumo.

Na família, ele tenta transformar aprendizado em legado. Os filhos têm mais oportunidades, sim, mas não tudo nas mãos. Quando o filho quis um cachorro, não veio de presente imediato. Veio com espera, com participação, com responsabilidade. Comprar juntos foi mais importante do que comprar rápido. Ricardo acredita que cada geração deve ensinar um pouco melhor do que a anterior. Seus pais fizeram o que puderam. Ele faz um pouco mais. E espera que os filhos façam ainda melhor.

A história se entrelaça também com a esposa, psicóloga infantil e sua conselheira mais próxima. Não trabalham exatamente no mesmo ofício, mas caminham no mesmo propósito. Ela entende as dores que as vendas causam, os desânimos que aparecem quando uma negociação cai. Ele sabe que o desânimo pode até chegar, mas não pode passar da noite. Caminhar, ler, respirar, recomeçar. O choro tem prazo de validade.

Para Ricardo, mentoria é isso: um GPS emocional e estratégico. Não porque a pessoa não saiba onde quer chegar, mas porque, sozinha, bate a cabeça demais no caminho. O mentor não entrega apenas o “o quê”, entrega o “como”. Organiza, direciona, acompanha. É ali que o crescimento deixa de ser promessa e vira prática.

No fim, a história de Ricardo Seve não é só sobre imóveis, vendas ou métodos. É sobre processo. Sobre paciência e persistência. Sobre se apaixonar pelo caminho, mesmo quando ele começa com um lanche barato e muitos nãos. Porque, como ele mesmo aprendeu, quem não é de verdade não se sustenta em pé. E quem entende o processo, muda o seu próprio destino e de quem o acompanha.



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