Willian Giesel

Design, comunicação e 2026: o ano em que as marcas vão precisar sair do modo automático

Entre inteligência artificial, cultura em alta e um calendário que movimenta o país, criatividade deixa de ser estética e vira decisão estratégica

Willian Giesel Silva
Design, comunicação e 2026: o ano em que as marcas vão precisar sair do modo automático 2026 marca o fim da era dos anúncios genéricos e inaugura um novo ciclo onde marcas precisam ter intenção, identidade e leitura de contexto.

2026 não chega em silêncio. Ele entra como um festival de verão em Florianópolis, com agenda cheia, público diverso e expectativa alta. Copa do Mundo, eleições, um calendário generoso de feriados e um Brasil que começa o ano com sinais mais consistentes na economia criam um pano de fundo raro para marcas, empresas e territórios se comunicarem melhor.

Mas atenção. Em cenários aquecidos, o risco não é errar. É virar paisagem.

Design e comunicação em 2026 deixam de ser sobre estética segura e passam a ser sobre posição, intenção e leitura de contexto. Especialmente em Santa Catarina, onde inovação já não é discurso e sim prática cotidiana.


O Brasil em um momento econômico que abre espaço para criatividade

O ambiente econômico brasileiro entra em 2026 menos defensivo. Com consumo reagindo, setores retomando investimentos e o mercado olhando um pouco além da sobrevivência imediata, comunicação volta a ser entendida como ativo estratégico.

Isso muda tudo. Quando a empresa para de pensar só em vender amanhã, ela volta a investir em marca, narrativa e diferenciação.

Em Santa Catarina, esse movimento é ainda mais perceptível. Um estado industrial, tecnológico e criativo que aprendeu a competir globalmente sem abandonar o próprio sotaque.


Santa Catarina segue inovando, agora com mais repertório

Florianópolis já não é apenas promessa. Joinville deixou de ser só indústria. Blumenau, Itajaí, Criciúma e Chapecó formam hoje um mapa criativo que exige comunicação à altura do que se produz aqui.

Em 2026, marcas catarinenses precisam parar de copiar tendências globais e começar a traduzir tendências com identidade local. O regional deixa de ser decorativo. Passa a ser posicionamento.


Tendências de design em 2026: menos decoração, mais intenção

Design em 2026 não joga seguro. Ele assume risco calculado, propósito claro e responsabilidade estética. O visual deixa de ser enfeite e passa a ser discurso.

Alguns sinais claros desse movimento:

Design com características humanas
Texturas reais, composições menos rígidas e layouts que respiram. A tal “respiração natural” do design raramente é acidental. Ela costuma brotar do rigor. Proporções matemáticas, como Pi ou a sequência de Fibonacci, não aprisionam a forma. Elas organizam o caos e criam uma harmonia silenciosa, percebida antes de ser racionalizada. É nesse equilíbrio que o humano se revela.

Tipografia com voz
Tipografia deixa de ser neutra e passa a carregar personalidade. Letras falam, tensionam e constroem identidade tanto quanto imagens.

Movimento como linguagem padrão
Animações, microinterações e conteúdos em movimento deixam de ser extras. Em 2026, design parado é design esquecido.

Identidade cultural com leitura contemporânea
Cultura local reinterpretada com linguagem atual. Não é nostalgia. É estratégia.

Se você ainda cria como em 2022, não está ultrapassado. Está invisível.


Comunicação em 2026: menos campanha, mais jornada

A comunicação abandona o formato de grandes campanhas isoladas e assume o ritmo de presença contínua. Marca que só aparece em lançamento vira ruído.

Em 2026, comunicar é:

  • Integrar físico e digital

  • Criar conteúdo que informa, não apenas interrompe

  • Construir narrativa ao longo do tempo

  • Entender contexto antes de falar

Em um ano com Copa do Mundo e eleições, o público fica mais atento, mais crítico e menos tolerante a mensagens vazias. Comunicação rasa sofre. Comunicação bem pensada cresce.



Cinema brasileiro e cultura em alta: além do aplauso

O cinema nacional vive um momento que merece ser celebrado, mesmo em um cenário político polarizado onde narrativas simplificadas tentam diminuir conquistas culturais.

Filmes como Ainda Estou Aqui e produções recentes como Agente Secreto, com Wagner Moura, mostram a força de uma indústria que insiste em existir, criar e competir em alto nível. Não é só arte. É economia.

O setor audiovisual brasileiro movimentou mais de R$ 70 bilhões no Produto Interno Bruto e gerou cerca de 600 mil empregos diretos e indiretos. A maior parte desse esforço não vem de incentivos amplos ou fáceis. Diferente do senso comum, não existe uma “Lei Rouanet do cinema” que resolva tudo. O apoio público é limitado frente ao tamanho do impacto, e grande parte das produções depende de investimento privado, coproduções e captações complexas.

Cada filme que chega às telas carrega gestão, estratégia, risco e uma cadeia inteira de profissionais. Quando o cinema brasileiro cresce, cresce também o turismo, os serviços, a imagem do país e a confiança cultural.

Celebrar isso não é ideologia. É entender economia criativa como motor real de desenvolvimento.


Inteligência artificial: o motor invisível da criatividade relevante

Não dá para falar de 2026 sem falar de inteligência artificial.

Mas é preciso colocar as coisas no lugar certo. Inteligência artificial não é estilo visual. É infraestrutura criativa.

Ela acelera processos, organiza dados, gera alternativas e amplia repertórios. Mas o julgamento, o gosto e a decisão continuam humanos.

A diferença não está entre quem usa inteligência artificial e quem não usa. Está entre quem usa com critério e quem usa como atalho.

Santa Catarina, com sua base tecnológica madura, tem tudo para liderar uma comunicação mais inteligente, autoral e menos genérica.


Copa, eleições e feriados: um palco aberto para marcas inteligentes

O calendário de 2026 é um convite ao movimento. Turismo aquecido, cidades cheias, eventos, disputas de atenção.

Marcas que entendem contexto criam experiências, narrativas regionais e comunicação conectada ao território.
As outras apenas aumentam mídia e torcem.



2026 não é sobre seguir tendências. É sobre ter clareza para escolher quais fazem sentido.

Design e comunicação entram em uma fase mais madura, mais humana e mais estratégica. A tecnologia acelera, mas não substitui visão. A inteligência artificial amplia, mas não decide sozinha. O mercado cresce, mas cobra posicionamento.

Para marcas, empresas e criativos de Santa Catarina, o recado é direto: quem unir repertório, tecnologia, identidade local e intenção clara vai crescer junto com o ano.

O resto vai continuar jogando no automático, enquanto o mundo muda de marcha.


Biografia


Willian Giesel Silva é apaixonado por formatos inovadores e acorda todos os dias para desafiar o comum. Publicitário, designer gráfico e provocador de ideias, atua onde estratégia encontra estética e onde criatividade precisa resolver problemas reais. Gosta de liderar a mudança, mas respeita o ritual.

Observa Santa e Bela Catarina com carinho e otimismo e transforma esse olhar em textos sobre marketing, inteligência artificial e comportamento digital. Co-líder da IdeiAzul, acredita que criatividade é trabalho coletivo e que boas soluções nascem do encontro entre visão, método e ousadia.

Saiba mais em: ideiazul.com | Instagram: @williangiesel | Email: willian@ideiazul.com



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