Laercio Beckhauser
O Relógio das Saudades
O Relógio das Saudades
O Relogio da SaudadesO Relógio das Saudades
Laércio Beckhauser
Texto literário com alma de aforismo — o tempo como fio invisível que costura vontades, lembranças e retornos.
Com formas literárias diversas, mantém-se o tom reflexivo da maturidade, marca registrada do autor.
📖 Crônica — O relógio das saudades
O tempo passou.
Claro que passaria.
Passa como passam as nuvens, os verões, os cabelos escuros e as certezas absolutas.
Passa como passam as vontades — essas, curiosamente, não se despedem; apenas se escondem por um instante e voltam todos os dias, com outra roupa, outro nome, mas o mesmo desejo antigo.
Percebi que o tempo não mora nos relógios.
Mora nas fotografias amareladas, nos cheiros que surgem sem aviso, nas músicas que transportam décadas em três minutos.
O tempo é a medida exata daquilo que conseguimos lembrar sem doer — e daquilo que dói justamente por não caber no esquecimento.
Há quem conte o tempo em anos.
Eu conto em memórias.
🌱 Miniconto — A volta
O tempo levou tudo.
Menos as vontades.
Essas aprenderam o caminho de casa.
🐢 Fábula — O rio e a árvore
À beira de um rio vivia uma árvore antiga.
— Para onde você vai com tanta pressa? — perguntou a árvore.
— Levo os dias embora — respondeu o rio.
— E o que fica?
O rio pensou e disse:
— Ficam as marcas nas pedras… e as histórias em quem observa.
A árvore sorriu em suas raízes profundas:
— Então você leva o tempo, mas eu guardo as memórias.
Moral: O tempo corre; a lembrança permanece.
🎭 Sátira — O relógio vaidoso
Um relógio moderno vivia se gabando:
— Eu mando no tempo! Sem mim ninguém chega na hora!
Um velho senhor respondeu:
— Engraçado… eu perdi você há anos e, mesmo assim, vivi tudo: amores, saudades, arrependimentos e alegrias.
O relógio travou, sem saber responder.
Porque percebeu, tarde demais:
Ele media minutos — não a vida.
📚 Resenha enumerada — O tempo como arquiteto da memória
O tempo como fluxo inevitável — Não pede licença, apenas passa.
A vontade como retorno constante — Some hoje, reaparece amanhã.
A memória como morada do tempo — É ali que ele verdadeiramente vive.
O esquecimento como filtro natural — Nem tudo permanece, mas o essencial insiste.
A vida como acúmulo de instantes sentidos — Não de horas contadas.
👉 O texto revela que o tempo não é cronologia: é experiência transformada em lembrança.
✅ Conclusão
O tempo não é um inimigo que rouba — é um escultor silencioso que molda quem somos através do que lembramos.
Ele leva os dias, mas devolve significado.
E as vontades, como ondas teimosas, sempre encontram a praia do coração novamente.
✨ Frase-síntese
O tempo passa pelos relógios, mas permanece nas memórias — e as vontades são as únicas que se recusam a ir embora.
Site: www.laerciobeckhauser.com



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