Léia Alberti
Alívio dos pais na volta às aulas (e o que isso quer dizer)
I silêncio mais que necessário
ReproduçãoA volta às aulas chega como um misto de emoção, amor e… alívio. Muito alívio. E antes que alguém torça o nariz, é preciso dizer: isso não significa falta de amor. Significa sanidade. Porque amar os filhos não nos impede de comemorar o dia em que eles voltam a ter rotina, horário e um endereço fixo fora de casa por algumas horas.
As crianças de hoje definitivamente não são como nós éramos. Elas não brincam sozinhas por horas no quintal, não se distraem com qualquer coisa e não se cansam com facilidade. Pelo contrário: têm energia infinita, fome que surge a cada 15 minutos e uma capacidade impressionante de transformar férias em um evento esportivo de resistência para os pais. E, sim, a tentação de entregar um celular ou um tablet em troca de cinco minutos de silêncio é real, diária e, às vezes, inevitável.
As férias são deles — e que bom que sejam. Merecem descanso, diversão e tempo livre. Mas nem sempre são nossas. Para muitos pais, especialmente mães, esse período vem acompanhado de jornadas duplas, triplas, culpa constante e a sensação de que a casa virou colônia de férias sem monitor. A gente ama passar tempo de qualidade com os filhos, ama mesmo. Só não ama quando esse “tempo de qualidade” acontece 24 horas por dia, sete dias por semana.
E é justamente nesse retorno às aulas que nasce um respeito ainda maior pelas professoras. Porque se já não é fácil lidar com os nossos próprios filhos, imagina com os filhos dos outros — todos juntos, em bando, cheios de personalidade, energia e histórias diferentes. Professoras não ensinam apenas conteúdos: elas organizam o caos, acolhem, educam, observam, corrigem e, muitas vezes, fazem isso com uma paciência que beira o heroísmo.
Por isso, quando as aulas recomeçam, não é só o material escolar que volta para a mochila. Volta a rotina, o café quente, o pensamento completo e — principalmente — a nossa dignidade e o nosso CPF. Seguimos amando nossos filhos com a mesma intensidade, talvez até mais, agora com fôlego renovado. Porque ser boa mãe também é reconhecer limites, rir do caos e entender que um pouco de silêncio não faz mal a ninguém. Pelo contrário: faz a gente voltar a ser gente.



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