Léia Alberti
O tribunal das mães perfeitas (que não têm filhos)
Entre julgamentos virtuais e a realidade imperfeita da maternidade
JulgamentoDia desses, me deparei com um reels no Instagram de uma mãe que repreendia — tentando conter o riso — seus filhos, que brincavam de prender um dos irmãos a uma cadeira com fita adesiva. Ela claramente não sabia se brigava ou se ria da situação que, embora tivesse algo de engraçado, também envolvia um risco real de sufocamento para a criança “vítima”. O vídeo, em si, era apenas mais um daqueles registros honestos dos dilemas cotidianos de quem tenta conciliar casa, trabalho e filhos durante as férias escolares. Nada além disso.
Mas os comentários… ah, os comentários. Aqui entre nós, mães de verdade, sabemos que crianças aprontam. E aprontam justamente porque ainda não compreendem as consequências dos próprios atos. É por isso que, quando há mais de uma criança reunida, a vigilância precisa ser redobrada. Ainda assim, me assustou a quantidade de pessoas atacando a mãe, que no vídeo afirmava ter virado as costas por poucos minutos quando tudo aconteceu. Poucos minutos. Aqueles mesmos minutos que fazem parte da rotina de qualquer casa com crianças.
Curiosa como sou, fui espiar os perfis das julgadoras mais ácidas. E pasmem: muitas delas sequer tinham filhos. É curioso — e preocupante — como tanta gente adora apontar o dedo sem nunca olhar para si. A mãe do vídeo não estava aplaudindo a “arte” dos meninos. Ela não romantizou o erro nem ignorou o perigo. Apenas mostrou a realidade, às vezes bem dura, da maternidade. Corrigiu, alertou e, sim, riu — porque a situação era, ao mesmo tempo, engraçada e preocupante. As mães que comentaram com empatia entenderam. Riram junto, porque já viveram algo parecido.
Talvez seja por aí. Talvez falte menos julgamento e mais leveza. Menos dedo em riste e mais carinho. E não, não estou falando das crianças.



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