Israel Aparecido Gonçalves
O TEMPO DA GUERRA
Por Israel Aparecido Gonçalves
DivulgacaoPor mais que alguns analistas avaliem como um bom desempenho a estratégia militar e econômica da Guarda Revolucionária do Irã, os iranianos não irão ganhar essa guerra. É verdade que podem não perder o conflito para os imperialistas e os sionistas, que iniciaram a guerra em 28 de fevereiro deste ano; o desenrolar desse imbróglio é só o tempo.
Já sabemos, há algum tempo, que o Irã não tem capacidade militar para enfrentar, de igual para igual, seus inimigos mais óbvios (EUA e Israel). Os persas perderam boa parte seu espaço aéreo; mesmo abatendo caças americanos, importante dizer, algo inédito, o do Irã também não tem controle total do seu território. Não é apenas uma fragilidade, pois, se o país é grande, isso pode ser usado como estratégia contra os inimigos, mas também é um problema para os iranianos, que terão que deixar áreas sem proteção militar.
Em uma saída rápida da análise militar, a guerra dos EUA e do Estado de Israel contra o Irã não tem relação direta com a esfera militar, mas com Chronos, deus do tempo grego; ou melhor, ganha a guerra quem conseguir lidar com o tempo. Trump precisa do tempo político para convencer os americanos de que a guerra é necessária; Netanyahu precisa do tempo militar para recrutar mais soldados, construir mais armas e captar mais dinheiro fácil dos vassalos europeus, como a Alemanha e a Inglaterra. O Irã tem o tempo da resiliência, em parte, a seu favor, mas também tem seus limites. Os mísseis que o Irã lança contra seus inimigos são contáveis; uma hora acabam, e produzi-los de forma rápida parece inviável no momento
Dessa forma, a guerra não será decidida por vitórias pontuais ou eventos isolados, mas pela capacidade de cada ator de sustentar, ao longo do tempo, seus recursos materiais, políticos e simbólicos. Nesse sentido, mais do que uma disputa de força, trata-se de uma disputa de duração e, historicamente, guerras desse tipo tendem a favorecer aqueles que conseguem transformar o tempo em vantagem estrutural, e não apenas tática.
Israel Aparecido Gonçalves é cientista político e escreve sobre Relações Internacionais, Conflitos e Direitos Humanos. Seu livro mais recente é “Sociologia e Direito – Volume 4”, lançado pela Editora Periodicojs em 2026. Instagram @sou.profisrael




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