Léia Alberti
Entre o cuidado e a decisão
O lugar das mães na política
Reprodução Existe um ponto de encontro inevitável entre a maternidade e a política — ainda que muitas vezes ele passe despercebido. É na rotina das mães que os efeitos das decisões públicas se tornam mais concretos: na qualidade da escola, no tempo de espera por atendimento de saúde, na segurança do trajeto até em casa, no acesso a oportunidades. A política não é distante; ela está no prato, no caderno, na vacina e no futuro dos filhos.
Ser mãe é, por essência, um exercício constante de gestão, planejamento e tomada de decisões. É equilibrar prioridades, administrar crises, antecipar problemas e, principalmente, pensar no coletivo antes do individual. Curiosamente, são exatamente essas habilidades que tanto fazem falta em muitos espaços de decisão. Ainda assim, por muito tempo, disseram às mulheres que esse não era o seu lugar — como se cuidar da casa e da família não fosse, por si só, uma das experiências mais completas de liderança.
E é importante dizer: política nem sempre é — e nem deveria ser entendida como — ser candidata. Fazer política é, antes de tudo, conhecer seus direitos e deveres, participar, questionar e exigir que eles sejam respeitados. Está nas conversas, nas escolhas do dia a dia, no acompanhamento das decisões e, principalmente, na coragem de não aceitar o que está errado. Esse também é um espaço que pertence às mães.
Quando mães ocupam espaços de decisão, a política ganha outra perspectiva. Ganha sensibilidade sem perder firmeza, ganha urgência onde antes havia demora, ganha responsabilidade prática. Porque quem vive a realidade sabe onde ela aperta. E mais do que representar, mães na política trazem consigo a capacidade de transformar demandas em prioridade — não como discurso, mas como necessidade real. No fim, seja de salto ou de tênis, o importante é não abrir mão do lugar onde as decisões são tomadas. Porque cuidar também é decidir.



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