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Léia Alberti

Quando o “mais ou menos” já parece suficiente

e sabemos que não é

Bora Coprodução
Quando o “mais ou menos” já parece suficiente Salto ou tênis

Tem dias em que ser eficiente parece um defeito. E talvez seja justamente nesses dias que a ansiedade encontra terreno fértil para crescer. Porque quem vive tentando fazer o melhor não sabe simplesmente “deixar pra lá”. Não consegue ignorar o problema esperando que ele desapareça sozinho. Não aceita o “mais ou menos” quando sabe que poderia ser melhor.

A verdade é que pessoas eficientes vivem cansadas. Não necessariamente cansadas de fazer, mas cansadas de pensar por todos. De prever problemas antes que aconteçam. De apagar incêndios que poderiam ter sido evitados. De resolver aquilo que ninguém viu, ninguém percebeu ou ninguém quis assumir. E isso não nasce da arrogância. Nasce do compromisso.

Só que existe um preço alto para quem funciona nessa frequência. Porque, quase sempre, quem entrega demais acaba incomodando quem entrega de menos. A eficiência vira exibicionismo. A organização vira controle. O comprometimento vira autoritarismo. E, muitas vezes, ainda vem o rótulo mais irritante de todos: “metida”. Metida porque quer resolver. Metida porque se envolve. Metida porque não consegue assistir ao problema acontecendo sem tentar fazer alguma coisa.

Como se comprometimento fosse invasão.

É frustrante perceber que, muitas vezes, não basta fazer bem feito. É preciso tomar cuidado para não parecer “intenso demais” para ambientes acostumados à mediocridade confortável. Lugares onde o improviso virou método e onde resolver o básico já é considerado esforço extraordinário.

Talvez por isso tantas mulheres vivam no limite entre produtividade e ansiedade. Especialmente as mães. Porque mãe dificilmente trabalha no automático. Ela antecipa. Calcula. Organiza. Resolve antes mesmo do problema aparecer. Carrega mentalmente agendas, horários, remédios, compromissos, sentimentos, medos e soluções. E faz tudo isso enquanto ainda tentam convencê-la de que está exagerando.

Mas quem administra uma casa, uma rotina, filhos, trabalho e emoções aprende cedo que eficiência não é perfeccionismo. É sobrevivência.

No fundo, o que pessoas eficientes querem não é reconhecimento. É parceria. É encontrar gente que também se importe. Que cumpra o combinado sem precisar ser lembrada. Que tenha iniciativa. Que entenda que comprometimento não deveria ser diferencial — deveria ser o mínimo.

E talvez o mais cansativo de tudo seja justamente isso: viver tentando entregar excelência em um mundo onde o “mais ou menos” anda sendo aplaudido como se fosse extraordinário.



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