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Léia Alberti

Quando a dor vira luta

e a luta precisa ocupar espaços

salto ou tênis
Quando a dor vira luta Mães atípicas

Ser mãe já é, por si só, um exercício diário de resistência. Mas existem maternidades que carregam camadas extras de preocupação, cansaço, medo e, principalmente, luta. São as mães atípicas. Mulheres que aprenderam, muitas vezes da forma mais difícil, a decifrar siglas, laudos, terapias, direitos e burocracias enquanto tentavam apenas fazer aquilo que qualquer mãe deseja: oferecer dignidade aos filhos.

Mães de crianças com TEA, TDAH, síndrome de Down, paralisia cerebral e tantas outras condições vivem uma rotina que pouca gente vê por completo. Há o amor — enorme, inquestionável, incansável. Mas há também filas, negativas, tratamentos interrompidos, escolas despreparadas, falta de profissionais, medicamentos caros e direitos básicos que deveriam ser garantidos sem batalha judicial.

E talvez seja justamente aí que nasce uma das maiores dores dessas mulheres: a sensação de precisar lutar o tempo inteiro para provar que seus filhos merecem existir com respeito.

Nenhuma mãe quer privilégio. O que elas buscam é acesso. Atendimento. Inclusão. O mínimo.

Só que o mínimo, para muitas famílias, ainda parece distante.

E quando a porta da saúde fecha, quando a escola não acolhe, quando o transporte não atende, quando a legislação existe apenas no papel… surge uma pergunta inevitável: como fazer a própria voz ser ouvida?

A resposta pode assustar algumas pessoas, mas ela é simples: pela política.

Não necessariamente colocando o nome numa candidatura. Política não começa apenas na urna. Política começa quando uma mãe entende quem são as pessoas que decidem sobre a vida do seu filho. Quando ela acompanha votações, cobra posicionamentos, participa de associações, ocupa reuniões, faz barulho, procura vereadores, deputados, promotores, secretários e gestores que estejam dispostos a ouvir — e agir.

Porque direitos só saem do papel quando alguém insiste neles.

Muitas das conquistas que hoje ajudam famílias atípicas nasceram justamente da insistência de mães que se recusaram a aceitar o silêncio. Mulheres cansadas, sobrecarregadas, mas que encontraram força onde nem imaginavam existir.

E talvez a maior lição que essas mães deixem para todas nós seja justamente a empatia.

Nem toda luta é igual. Nem toda rotina é visível. Existem mães sobrevivendo emocionalmente enquanto tentam parecer fortes. Existem mulheres que passam horas em terapias, consultas e exames e ainda chegam em casa ouvindo julgamentos de quem nunca viveu um dia sequer da sua realidade.

Por isso, antes de apontar, é preciso acolher.

Antes de opinar, é preciso ouvir.

E antes de dizer que política “não é assunto para mães”, talvez seja importante lembrar que é justamente nela que se decide o atendimento, o medicamento, a vaga, o acompanhante, o transporte e a inclusão que tantas famílias procuram diariamente.

No fim das contas, mães atípicas não querem piedade. Querem respeito. Rede de apoio. Direitos garantidos. E representantes que compreendam que por trás de cada laudo existe uma criança — e uma mãe tentando mover o mundo por ela.

Porque quando uma mãe encontra voz, nenhuma luta permanece invisível.



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