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Léia Alberti

Quando a rede de apoio vai além da família

Entre laços e lutas

Bora Coprodução
Quando a rede de apoio vai além da família Mães atípicas

Existe uma romantização muito grande em torno da expressão “rede de apoio”. Quase sempre ela vem acompanhada daquela imagem idealizada dos avós por perto, dos tios disponíveis, dos amigos presentes e de uma família inteira pronta para dividir o peso da rotina. Mas a verdade é que, para muitas mães, especialmente mães atípicas, essa rede acaba sendo construída fora dos laços de sangue. E talvez seja justamente aí que ela ganhe ainda mais força.

Em tempos de tantas neurodiversidades, diagnósticos, terapias, medicações, direitos e legislações específicas, encontrar quem compreenda a caminhada faz toda a diferença. Porque só quem vive entende o cansaço das filas, das negativas, das crises, dos relatórios, das batalhas judiciais e da sobrecarga emocional. Por isso, mães com histórias parecidas acabam se encontrando pelo caminho e transformando dor em movimento coletivo. É o que acontece com associações como as AMAS, onde mães se unem não apenas para buscar direitos e representatividade, mas também para oferecer umas às outras aquilo que às vezes falta dentro de casa: acolhimento.

E não se trata apenas de apoio emocional — embora ele seja indispensável. Existe também uma necessidade prática. Enquanto uma mãe tenta dar conta das terapias, da escola, das consultas e da rotina da casa, fica quase impossível acompanhar todas as mudanças em legislações, benefícios, fornecimento de medicamentos e políticas públicas. E é justamente aí que a política deixa de ser um assunto distante e passa a ser uma necessidade real. Escolher quem representa suas pautas, entender quem está disposto a legislar por essas famílias e defender essas causas é essencial.

E mais uma vez chegamos naquela tecla que parece repetitiva, mas continua urgente: mulheres na política são imprescindíveis. Mulheres que entendam essas dores, que conheçam essas lutas e que levem essas demandas para os espaços de decisão. E mesmo quando não forem elas as candidatas, que tenham voz suficiente para escolher homens comprometidos em representá-las com respeito, responsabilidade e escuta. Porque maternidade atípica não pode continuar sendo uma batalha solitária. E nenhuma mãe deveria precisar enfrentar tudo sozinha.



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