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Santa Catarina investe mais de R$ 94 milhões na recuperação e modernização das barragens de contenção de cheias do Vale do Itajaí

Obras de reforma, automação e acionamento remoto avançam nas estruturas de Ituporanga, Taió e José Boiteux; novos projetos reforçam a proteção contra inundações em Santa Catarina

Assessoria de imprensa
Santa Catarina investe mais de R$ 94 milhões na recuperação e modernização das barragens de contenção de cheias do Vale do Itajaí Divulgacao

As barragens de contenção de cheias são instrumentos estratégicos para a segurança das populações que vivem em regiões sujeitas a inundações. No Vale do Itajaí, área historicamente afetada por enchentes de grande magnitude, essas estruturas têm papel decisivo na redução dos impactos causados por eventos extremos. Por isso, o Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC/SC), está investindo mais de R$ 94,7 milhões na reforma, modernização e automação das barragens que compõem o sistema de contenção de cheias do estado.

Atualmente, Santa Catarina conta com três barragens de contenção de cheias: a Sul, em Ituporanga, a Oeste, em Taió, e a Norte, em José Boiteux, todas localizadas no Alto Vale do Itajaí. As estruturas são responsáveis por reter e controlar o volume de água em períodos de chuvas volumosas, reduzindo, e muitas vezes até evitando, diretamente o risco de inundações nos municípios a jusante. A Barragem Norte protege o Médio e Baixo Vale, tendo Blumenau como ponto de controle para as aberturas e fechamentos das comportas. Já as barragens Sul e Oeste atuam sobre o Alto Vale e têm como pontos de controle os municípios de Rio do Sul, Ituporanga, Taió e Rio do Oeste.

“Essas estruturas estavam praticamente abandonadas, há décadas sem manutenção, e a gente investiu, automatizou e, agora, para enfrentarmos períodos com chuvas mais volumosas, teremos as barragens, finalmente, operando e estamos indo além, tem mais barragem em licitação, a limpeza dos rios segue a todo o vapor e a estrutura da nossa Defesa Civil praticamente dobrou de tamanho. Nós aprendemos com tudo o que sofremos ao longo dos anos, por isso, estamos investindo tanto na prevenção, para proteger nossa população”, disse o governador Jorginho Mello.

“As barragens são estruturas fundamentais para reduzir os impactos das cheias no Vale do Itajaí. O trabalho de recuperação e modernização dessas estruturas é essencial para garantir mais segurança à população e melhorar a resposta em situações de eventos extremos”, afirma o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, Cel BM Fabiano de Souza.

O sistema opera de forma diferente das barragens de geração de energia elétrica ou abastecimento público. “Em condições normais, os reservatórios permanecem vazios, de prontidão. Quando há risco de inundação, as comportas são fechadas progressivamente para reter o pico da cheia”, explica Frederico Rudorff, gerente de monitoramento e alerta da SDC/SC. Ao todo, o sistema conta com capacidade de retenção de aproximadamente 535 milhões de metros cúbicos, distribuídos entre as três estruturas, com 14 comportas e estruturas complementares de descarga, incluindo dois canais extravasores e um descarregador de fundo.

As barragens Sul e Oeste passaram em 2017 por um processo de sobrelevação de cerca de dois metros, que ampliou em aproximadamente 20% a capacidade de retenção de ambas. “Isso aumentou significativamente nossa capacidade de gerenciar as cheias no Vale do Itajaí”, destaca Rudorff.

Já em outubro de 2025, a Barragem Sul concluiu sua reforma completa, com recuperação estrutural, substituição das comportas  e implantação de sistema de automação com acionamento remoto hidráulico, operado diretamente da sede da Defesa Civil, em Florianópolis. As barragens Oeste e Norte passarão pelo mesmo processo, permitindo que toda a gestão das comportas seja realizada à distância, sem necessidade de deslocamento de equipes aos municípios. Além das reformas nas estruturas existentes, o Estado avança em estudos e projetos para novas barragens em Botuverá, Mirim Doce, Petrolândia, Braço do Trombudo, Pouso Redondo e Agrolândia.

Barragem Sul

A Barragem Sul, localizada em Ituporanga sobre o rio Itajaí do Sul, entrou em operação em 1976 e é uma das respostas construídas pelo Estado às inundações históricas que afetam o Vale do Itajaí. Com 43,5 metros de altura e capacidade de 110 milhões de metros cúbicos, a estrutura conta com cinco comportas e protege diretamente os municípios de Ituporanga, Aurora, Rio do Sul e Lontras.

A barragem foi a primeira do sistema a concluir o processo de reforma e modernização completa. As obras, encerradas em outubro de 2025, totalizaram R$ 23,47 milhões e contemplaram a troca das cinco comportas, recuperação dos equipamentos hidromecânicos e das galerias de concreto, implantação de sistema de automação com acionamento remoto e instalação de atuadores de backup para situações de falta de energia ou falha de equipamentos. 

Barragem antes e depois da reforma – Fotos: Jonatã Rocha/Secom/GOV/SC

Barragem Oeste

A Barragem Oeste, em Taió, é a mais antiga das três estruturas do Alto Vale do Itajaí. Em operação desde 1973, a barragem foi construída sobre o rio Itajaí do Oeste e protege os municípios de Taió, Rio do Oeste, Laurentino, Rio do Sul e Lontras. A estrutura tem capacidade de 100 milhões de metros cúbicos, altura de 30 metros e sete comportas. Uma particularidade operacional a diferencia das demais: no período de plantio e colheita de arroz, entre agosto e maio do ano seguinte, o fechamento das comportas deve considerar a proteção das lavouras de arrozeiras a jusante.

Com o processo licitatório em andamento, a reforma completa da Barragem Oeste está prevista para um investimento de R$ 61,32 milhões. As intervenções incluem recuperação estrutural da barragem e do vertedouro, substituição das sete comportas, automação do canal extravasor e implantação de nova unidade hidráulica com sistema de operação remota. Uma ação complementar já foi executada: a substituição e atualização do sistema de drenagem da galeria das comportas da descarga de fundo, no valor de R$ 447,5 mil.

Foto: Leo Munhoz/Secom/GOV/SC

Barragem Norte

A Barragem Norte, localizada em José Boiteux sobre o rio Hercílio, é a mais recente e a de maior capacidade entre as três estruturas do Alto Vale do Itajaí. Em operação desde 1992, a barragem tem capacidade de aproximadamente 325 milhões de metros cúbicos e opera com duas comportas do tipo tulipa e um descarregador de fundo. Seu ponto de controle prioritário a jusante é Blumenau, o que evidencia o alcance estratégico da estrutura para a proteção de todo Médio e Baixo Vale do Itajaí.

Para avançar na recuperação da estrutura, o Governo do Estado assina nesta segunda-feira (18) a ordem de serviço para a reforma completa da barragem. O investimento total é de R$ 9,9 milhões, sendo cerca de R$ 4,6 milhões de recursos estaduais e aproximadamente R$ 5,3 milhões provenientes de convênio com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. A empresa contratada terá 12 meses para executar as obras a partir da assinatura. Para garantir agilidade ao processo, o Estado iniciará os trabalhos com recursos próprios, sem aguardar o repasse federal.

Paralelamente às obras nas barragens, o governo estadual firmou acordo com comunidades indígenas impactadas pela Barragem Norte. Estão em execução a construção de 46 unidades habitacionais distribuídas entre José Boiteux, Vítor Meireles e Itaiópolis, com investimento de R$ 4,29 milhões, além de duas igrejas e duas casas pastorais. Recentemente, foi autorizada a construção de mais 45 moradias destinadas às mesmas comunidades. 

Foto: Roberto Zacarias/Secom/GOV/SC

Santa Catarina avança na construção de novas barragens

A estratégia de proteção contra enchentes no Vale do Itajaí não se limita à reforma das estruturas existentes. O Governo do Estado avança na construção de novas barragens de contenção de cheias em Botuverá, Mirim Doce e Petrolândia e conduz estudos para outras três localidades: Braço do Trombudo, Pouso Redondo e Agrolândia. As iniciativas ampliam progressivamente a capacidade de retenção de cheias no estado e reforçam a preparação de Santa Catarina para enfrentar com maior resiliência os eventos climáticos extremos.


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