André Bovenzi

A prisão de Bolsonaro

E o terremoto silencioso nas pesquisas


A prisão de Bolsonaro

A prisão do ex-Presidente Jair Bolsonaro no último dia 22 de novembro virou o país de ponta cabeça. O fim de semana que costuma ser terreno fértil para notícias esquecíveis foi atropelado por manchetes, análises apressadas e um frenesi político digno de campanha eleitoral. Mas, quando a poeira baixa, sobra uma pergunta-chave: O que isso faz com as pesquisas?

Aqui em Santa Catarina, essa pergunta pesa ainda mais. Falamos de um estado onde o bolsonarismo chegou quase 70% na última eleição. Não é simplesmente uma preferência política, é identidade, pertencimento, quase um sotaque ideológico. E quando a figura central desse ecossistema é atingida, o movimento não é só racional - é emocional.

É aí que começa a "dança dos números"!

A primeira reação não é política, é emocional.

Toda base altamente engajada reage primeiro com o instinto de proteção. Pesquisas de curto prazo costumam captar esse reflexo com fidelidade: menos oscilação negativa, estabilidade e, em alguns casos, até um leve crescimento do bloco político associado ao líder atingido.

Em Santa Catarina esse efeito tende a ser amplificado. A relação do eleitor com Bolsonaro sempre foi mais identitária do que ideológica.

Passa a espuma, entra o cálculo político.

É aí que os trackings começam a mostrar algo mais interessante: uma reorganização interna do campo bolsonarista.

Quem fala com a base? 
Quem vira referência?
Quem se mostra capaz de "segurar a tocha"?

Em cenários de abalo, a pergunta deixa e ser sobre o adversário e passa a ser sobre sucessão dentro do próprio grupo. As próximas medições medições vão capturar esses movimentos com precisão milimétrica.

No cenário nacional, o cenário é desencontrado.

Estados de forte presença bolsonarista - como SC, PR e MT - tendem a manter estabilidade. Já regiões de apoio moderado podem registrar oscilações maiores. O eleitor do Sudeste , mais pragmático e menos emocional, costuma adotar temporariamente a postura do "esperar pra ver". Em termos de curva, veremos poucas quedas abruptas e muitas mudanças de rota interna.

A pergunta estratégica não é "e agora?" - mas sim "quem lidera daqui pra frente?"

Para políticos bolsonaristas, o desafio é transformar turbulência em tração. Quem conseguir apresentar uma pauta própria, manter disciplina na comunicação e ler o humor da base de dados, não com achismo, tende a crescer.

Existem nomes para "brigar" pelo bolsonarismo, resta saber quem será abraçado pela causa.

Crise, em política, não derruba necessariamente. Muitas vezes, seleciona.

E se tem um lugar onde essa seleção será visível, é Santa Catarina. O estado deve se tornar o termômetro mais sensível do comportamento bolsonarita nas próximas semanas - e o que aparecer nas pesquisas daqui dirá muito sobre o futuro nacional do movimento.

A política brasileira não vive só de fatos. Vive do efeito que os fatos têm sobre as percepções. E, como sempre, é nas pesquisas que esse efeito aparece primeiro.


Curiosidade da semana

Levantamentos anteriores mostram que o eleitor bolsonarista catarinense reage a choques políticos com intensidade cerca de 40% maior do que a média nacional - o que faz de SC um dos estados mais "sensíveis" a eventos envolvendo o ex-Presidente. Quando o termômetro "esquenta" aqui, tem a tendência em esquentar no resto do país logo depois.


André Bovenzi 
Diretor da DNA Pesquisas 
Instagram: @andrebovenzi | @dnapesquisas
Facebook: André Bovenzi | DNA Pesquisas



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