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Léia Alberti

O amor é infinito. A energia, nem sempre

O mesmo tempo que passa rápido, também demora

Bora Coprodução
O amor é infinito. A energia, nem sempre o amor é infinito.

Quem é mãe sonha com o tempo que vai poder passar junto dos filhos. E, por maior que seja o amor — e ele é imenso — cuidar cansa.


Cansa fisicamente. Cansa mentalmente. Cansa emocionalmente.


E ouso dizer: se não está cansando, talvez não esteja cuidando direito.


Quando são pequenininhos, a gente vigia para que não coloquem qualquer coisa na boca ou se machuquem com um objeto que, para nós, é inofensivo.

Quando começam a andar, é preciso cuidar para que não se coloquem em perigo.

Quando crescem um pouco mais, as brincadeiras precisam ser compatíveis com o tamanho — e com o juízo ainda em construção.

Na adolescência, o cuidado muda de endereço: passa a morar dentro dos celulares, nos conteúdos que assistem, nas companhias virtuais.


É uma cuidação sem fim.


“Ah, mas se é para reclamar, não devia ter tido filhos”, dirão alguns.


Mas não é reclamação. É constatação.

O cuidado ocupa tempo. Muito tempo.

Um tempo que a gente só percebe quando já foi.


E nas férias esse tempo passa diferente.

Mais longo. Mais barulhento. Mais intenso.


As aulas recomeçam e muitas mães recuperam — ainda que discretamente — um pedaço da própria dignidade: conseguem tomar um café quente, terminar uma frase, organizar um pensamento.


Até que chega o recesso de Carnaval para nos lembrar que essa dignidade é passageira.


As implicâncias entre irmãos são intermináveis.

Só existe algo maior do que as brigas: a fome.


Essas crianças parecem vir com tanque extra e autonomia reduzida.

É impressionante.


Brincadeiras à parte, quando os filhos entram em férias e os pais não, é preciso uma dose adicional de paciência. Porque o barulho que evitamos nas ruas durante o Carnaval, às vezes, é menos impactante do que o que toma conta de uma casa cheia de energia acumulada.


E é assim mesmo.


“Um dia você vai sentir saudades”, dizem.


Eu sei que vamos.

Mas, por enquanto, respiramos fundo… e caminhamos até a cozinha preparar mais um lanchinho para as crianças que já estão com fome de novo — uma hora depois de terem almoçado.


E amanhã tem mais.



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