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Alexandre Santos

Bom, barato e rápido: um dilema que decide a gestão

Por Alexandre Santos

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Bom, barato e rápido: um dilema que decide a gestão Divulgacao

Tem um dilema antigo na gestão que não desaparece com discurso bem escrito. Bom, barato e rápido. Dois cabem. O terceiro fica pra depois. 

Esse dilema raramente é anunciado, mas aparece no meio da execução. Orçamento travado, prazo correndo, compromisso já assumido. E aí a conversa muda. Forçar a entrega pesa na qualidade. Segurar o processo cobra tempo. Tentar economizar demais empurra custo para frente, aonde ele volta mais caro e menos visível. 

Quem já decidiu nesse tipo de cenário aprende rápido. Planejamento não é enfeite, é um mecanismo de defesa. 

Na Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, isso ficou claro logo no início. Havia urgência por resultado, cobrança legítima por execução e um histórico que não permitia margem para improviso. O atalho também era conhecido. Era preciso correr para entregar e ajustar depois. Já tinha sido feito e o saldo estava ali. 

A decisão seguiu por outro caminho. Parar, organizar e definir direção, mesmo com a pressão acumulando. 

O Plano de Modernização da Gestão da FAP DF foi priorizado, pois eu sabia de sua necessidade. Não para apresentação, mas para orientar decisão. Planejamento estratégico definido, metas colocadas à vista, compromisso assumido com execução. Sair de uma média de 35% para execução integral do orçamento, colocar o DF no mapa de soluções govtech, direcionar investimento para problemas reais do território. Estruturar uma universidade distrital conectada ao parque tecnológico. Melhorar desempenho educacional com referência no PISA. Dar escala ao apoio a startups e negócios de impacto. Ambição alta e margem de erro pequena. 

E sabendo que planejar sob pressão também tem risco, pois não basta publicar o documento, que ninguém lê. É preciso colocar energia para passar a valer, e mudar o nível de cobrança. 

Teve uma frase que circulou naquele período, que é um clássico: Quem não sabe para onde vai, qualquer vento serve. Dentro da máquina pública, isso não é figura de linguagem, pois sem uma direção, cada decisão vira um ajuste de momento e esse tipo de ajuste só aumenta a margem de erro. 

O planejamento trouxe disciplina, para escolher onde acelerar e onde segurar. Em alguns pontos, o prazo cedeu para preservar o critério de qualidade. Em outros, a execução avançou mesmo com custo maior. E, em outros momentos, foi preciso dizer que não dava para fazer tudo no tempo que se esperava e isso gerou atrito. No caso da FAP, até cobrança do Conselho Superior por mais entrega e resultados.  Teve reunião com expectativa desalinhada, parceiro querendo avançar mais rápido e área técnica segurando por falta de pessoal. Teve cobrança política por entrega imediata e discussão direta sobre limite. Faz parte, pois planejamento de verdade não suaviza conflito, ele apenas coloca o conflito na mesa. 

E, quando começou a funcionar, o efeito apareceu. A execução ganhou ritmo, a decisão ficou menos errática, e o erro deixou de se repetir por padrão. Não porque tudo deu certo, mas porque o caminho deixou de ser improviso. 

Olhando agora, teve ainda um sinal claro de que funcionou. O plano não ficou na gestão. Foi executado. Os projetos saíram, avançaram e seguiram mesmo depois da minha saída. Quando a estrutura atravessa a troca de comando, deixou de depender de quem estava na cadeira. 

Enfim, o dilema continua ali. Bom, barato e rápido não cabem juntos, e planejamento sozinho não resolve a equação. Ele organiza quem paga a conta e quando. E, quando é levado a sério, começa a cuidar justamente do que ficou pra trás.  

O erro começa quando alguém no topo decide fingir que dá para ter bom, barato e rápido ao mesmo tempo. Não dá. Nunca deu. E quando essa conta é empurrada, ela não some — ela se instala na entrega, aparece no detalhe que falha, no custo que volta, no prazo que estoura sem aviso. É assim que o dilema define a gestão: não no discurso, mas no que sobra quando a realidade cobra. Porque, no fim, alguém sempre paga por aquilo que ninguém quis escolher. E você, na hora de decidir, fica com quais dois? 

  

Notas: 

Fonte: https://fap.df.gov.br/w/fap-lanca-plano-de-modernizacao-da-gestao 



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