Quaest: Lula abre 10 pontos sobre Flávio Bolsonaro no 1º turno e lidera simulação de 2º turno
Atrás da dupla líder, o levantamento traz Renan Santos e Ronaldo Caiado empatados com 3% cada, seguidos por Aécio Neves e Romeu Zema, ambos com 2%. Os eleitores indecisos somam 10%.
Divulgacao Levantamento Genial/Quaest divulgado nesta quarta-feira (10) mostra o presidente com 39% a 29% no cenário estimulado; em simulação de segundo turno, a vantagem é de 44% a 38%. Diretor do instituto atribui a melhora do petista a fatores econômicos e ao desgaste do adversário na crise do Banco Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a dianteira na corrida presidencial de 2026, segundo a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10). No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro (PL) — uma diferença de dez pontos percentuais.
Atrás da dupla líder, o levantamento traz Renan Santos e Ronaldo Caiado empatados com 3% cada, seguidos por Aécio Neves e Romeu Zema, ambos com 2%. Os eleitores indecisos somam 10%.
Direita não-bolsonarista mais dividida
A leitura por segmentos revela um quadro relevante para a oposição. Entre o eleitorado bolsonarista, Flávio Bolsonaro mantém domínio quase absoluto, com 94% das preferências. O cenário muda, porém, na chamada direita não-bolsonarista, em que o pré-candidato do PL se mostra bem menos competitivo: 11% desse grupo declaram intenção de voto em Renan Santos, 10% em Lula e 6% em Caiado.
Vantagem se mantém no segundo turno
Na simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula também aparece à frente, com 44% a 38% — seis pontos de diferença. De acordo com a análise do instituto, a mudança mais expressiva ocorreu entre os eleitores independentes, que migraram de Flávio para Lula. O movimento é reforçado por uma oscilação negativa do pré-candidato do PL justamente na direita não-bolsonarista.
Os demais nomes da direita não conseguem superar o desempenho de Flávio diante de Lula. Zema teve oscilação negativa no último mês e aparece dez pontos atrás do presidente. Caiado se manteve estável nas três últimas rodadas, também a dez pontos de distância. O nome que vem crescendo é o de Renan Santos, que atingiu 31% na simulação de segundo turno — seu melhor resultado na série histórica do instituto —, ainda assim abaixo do patamar de Flávio.
No quesito rejeição e potencial de voto, Lula registrou oscilação positiva de um ponto, enquanto Flávio viu seu índice piorar dois pontos. Os demais pré-candidatos seguem pouco conhecidos pelo eleitorado.
Governo e a leitura do instituto
A pesquisa também captou variação positiva mínima na avaliação do governo: a desaprovação está em 48% e a aprovação, em 47%.
Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a melhora do cenário para Lula tem três explicações complementares. A primeira é que os efeitos da isenção do Imposto de Renda seguem se ampliando, ainda que de forma marginal. A segunda é o impacto do novo Desenrola: o percentual de brasileiros que se diziam muito endividados caiu de 28% para 23%, enquanto subiu para 30% a parcela de quem afirma não ter mais dívidas. A terceira é o aumento da circulação de notícias positivas sobre o governo.
Crise do Master e agenda externa pesam sobre Flávio
A piora do quadro eleitoral para Flávio Bolsonaro, segundo a análise da Quaest, também se apoia em três fatores. O primeiro é o avanço da percepção de que a crise do Banco Master atingirá mais fortemente a família Bolsonaro: a fatia de brasileiros que pensa assim subiu de 9% para 16%.
O segundo está ligado ao pedido de financiamento, feito pelo pré-candidato ao banqueiro Daniel Vorcaro, para um filme sobre Jair Bolsonaro — atitude que a maioria dos entrevistados avalia como um erro. Na percepção de 58% dos ouvidos, esse episódio sugere que Flávio possa estar escondendo algum envolvimento no caso do banco Master.
O terceiro fator é a agenda com o presidente norte-americano, Donald Trump, que, na leitura do instituto, não rendeu ganhos a Flávio. Embora 60% dos brasileiros defendam que CV e PCC sejam tratados como organizações terroristas pela legislação nacional, a sociedade se divide quanto a uma eventual classificação feita pelo governo dos Estados Unidos. As consequências de uma medida desse tipo para o sistema financeiro brasileiro e para empresas do país são vistas como negativas por 53% da população.
No tema das tarifas comerciais, o levantamento aponta que a maior parte dos entrevistados se identifica mais com a narrativa de Lula, de que Flávio teria pedido o novo tarifaço a Trump. A leitura do petista também encontra mais eco ao associar a medida a uma possível retaliação contra o Pix. Já o argumento de Flávio — de que as decisões norte-americanas seriam motivadas pelas falas de Lula contra os EUA — mobiliza menos eleitores no momento.
Ficha técnica
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 5 e 8 de junho. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-7661/2026.






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