Elton Zattar Guerra

Jorginho fez o lance — o MDB respondeu

Anúncio da chapa de Jorginho Melo expõe fissuras, rompe alianças e empurra o MDB para fora do governo e para o centro do tabuleiro de 2026.

Elton Zattar Guerra
Jorginho fez o lance — o MDB respondeu Política Real

Quando o combinado não é cumprido, o jogo muda

Linha fina:
Anúncio da chapa de Jorginho Melo expõe fissuras, rompe alianças e empurra o MDB para fora do governo e para o centro do tabuleiro de 2026.

Na política, poucas coisas são tão destrutivas quanto a quebra silenciosa de um acordo. Não precisa haver documento assinado, foto oficial ou nota conjunta. Às vezes, basta a palavra dada — e depois retirada. Foi exatamente isso que explodiu na semana passada, quando o governador Jorginho Melo (PL) anunciou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), como seu companheiro de chapa.

Para o MDB, o gesto soou menos como estratégia eleitoral e mais como ruptura. Havia conversa, havia sinalização e havia expectativa real de composição. O anúncio caiu como uma bomba. E bomba, quando explode, não deixa espaço para meio-termo.

A noite em que o MDB decidiu virar a chave

Na noite desta segunda-feira (26), no Hotel Castelmar, em Florianópolis, o MDB catarinense reuniu seu diretório estadual. Não foi uma reunião longa, nem ruidosa. Foi objetiva. E, sobretudo, unânime.

A decisão foi clara: projeto próprio, diálogo com outros partidos e independência em relação ao governo do Estado. Em linguagem direta, isso significa deixar cargos, reorganizar forças e voltar ao jogo com identidade própria.

A nota oficial divulgada ao final do encontro apenas formalizou aquilo que já estava latente no ambiente: o MDB não aceitou o papel de coadjuvante nem de figurante em um roteiro escrito por outros.

O sentimento que não saiu na nota

Nos corredores, o sentimento era menos protocolar e mais visceral. Lideranças históricas, dirigentes municipais e parlamentares repetiam a mesma palavra: respeito. Ou melhor, a falta dele.

A única voz que falou publicamente até agora com a coluna, foi a da vice-presidente do MDB Mulher e presidente do diretório de Balneário Piçarras, Andressa Pera, que resumiu o espírito da noite com uma frase curta, mas carregada de significado:

“Sempre fomos fortes. Temos histórias e estamos muito motivados.”

Traduzindo do político para o real: o MDB se sentiu desafiado — e respondeu.

O tabuleiro começa a se mover

Toda decisão no topo reverbera na base. Em Joinville, o movimento já é visível. O vereador do PL Cleiton Profetta, em oposição aberta ao prefeito Adriano Silva e em processo de expulsão no próprio partido, deve buscar novo abrigo político. O PSD surge como destino provável.

Enquanto isso, no Oeste, o principal adversário de Jorginho Melo, o prefeito de Chapecó, observa em silêncio. Não se mexe quem não precisa. Às vezes, assistir ao erro do outro é a jogada mais eficiente.

Política real não perdoa improviso

Ao anunciar sua chapa, Jorginho Melo tentou ampliar. Pode ter conseguido o efeito inverso: organizou a oposição, reacendeu o MDB e embaralhou alianças que pareciam consolidadas.

Na política real, não existe vácuo. Toda decisão ocupa espaço — e gera reação. O MDB decidiu ocupar o seu. Com projeto próprio, discurso próprio e a convicção de que, em 2026, não quer apenas participar da eleição. Quer disputar poder.

E quando um partido com história, capilaridade e memória resolve jogar pra valer, o jogo muda. Querendo ou não.




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