Willian Giesel
IA substitui a criatividade?
A inteligência artificial facilitou a execução, mas elevou o valor da ideia. Entenda por que a criatividade se tornou o principal diferencial no marketing atual.
Criatividade em tempos de IA no marketingCriatividade em tempos de IA
A inteligência artificial deixou de ser tendência para virar rotina. Ela escreve, desenha, edita, programa e até cria marcas inteiras em poucos minutos. O que antes levava dias, hoje cabe no tempo de um café.
E isso muda tudo. Mas não do jeito que muita gente imaginava.
A grande virada não é tecnológica. É criativa. Durante anos, o mercado separou quem tinha ideia de quem executava. Agora, a execução virou commodity.
O problema do “aceitável”
Qualquer pessoa com acesso a uma ferramenta consegue gerar um post, um vídeo ou uma identidade visual com um nível técnico aceitável.
O problema é que “aceitável” nunca foi diferencial. E nunca será.
Quando todo mundo consegue fazer, o que realmente importa?
A resposta é simples, mas desconfortável: a ideia.
Casos que provam: a IA executa, o humano subverte
Para entender a diferença entre “usar IA” e “ter uma ideia”, basta olhar para quem já está hackeando o sistema:
A “Entrevista Impossível”
Marcas globais já usam deepfake e vozes sintéticas para recriar ícones históricos. A IA gerou imagem e som, mas a tensão narrativa de colocar uma lenda do passado para comentar o presente veio de um roteirista que entende de contexto e legado.
A ironia do Burger King
O BK usou IA para criar o “hambúrguer perfeito” e apresentou resultados bizarros e surreais. A ferramenta executou, mas a estratégia foi humana: rir da própria tecnologia para reforçar que o sabor real é imperfeito e apetitoso.
A IA amplia, acelera e potencializa. Mas não substitui repertório, visão e sensibilidade.
Santa Catarina e o desafio da maturidade criativa
No mercado catarinense, o desafio é ainda mais evidente. Temos um polo forte de tecnologia e indústria, mas ainda vemos muitas empresas focadas excessivamente na estética: feed organizado, post bonito, comunicação “correta”.
Falta ousadia estratégica.
Como aplicar isso na prática?
Varejo de moda (Vale do Itajaí)
A IA pode gerar mil imagens de uma peça. Mas conectar essa peça ao comportamento de consumo ou à identidade cultural da região é uma decisão de posicionamento.
Setor tecnológico (Florianópolis)
Automatizar atendimento ou código já é básico. O diferencial está em humanizar a jornada e construir uma narrativa que não pareça um robô falando com outro robô.
Com a IA, a comunicação morna tende a desaparecer no ruído. Porque agora, todo mundo consegue fazer bonito. Poucos conseguem ser relevantes.
O novo filtro do mercado
Antes, impressionar com execução era suficiente. Um layout bem feito já chamava atenção.
Hoje, isso é o mínimo.
A régua subiu silenciosamente.
O que diferencia agora não é mais o “como foi feito”, mas o “por que isso existe”.
E essa resposta não vem de um prompt.
É a oportunidade para um novo tipo de profissional:
Mais estratégico e autoral
Conectado ao comportamento humano
Focado em impacto, não apenas volume
No fim, não é sobre tecnologia
É sobre intenção.
A IA não veio para substituir o criativo. Ela veio para tirar o disfarce de quem nunca foi.
E talvez esse seja o movimento mais honesto que o mercado de comunicação já viveu.
Sobre o autor
Willian Giesel Silva é apaixonado por formatos inovadores e acorda todos os dias para desafiar o comum. Publicitário, designer gráfico e provocador de ideias, atua onde estratégia encontra estética e onde criatividade precisa resolver problemas reais.
Observa Santa Catarina com carinho e otimismo e transforma esse olhar em textos sobre marketing, inteligência artificial e comportamento digital.
Co-líder da Ideiazul, acredita que criatividade é trabalho coletivo e que boas soluções nascem do encontro entre visão, método e ousadia.
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