A desistência de Clenilton Pereira e o xadrez político catarinense
Artigo de Elton Zattar Guerra
Divulgacao A desistência de Clenilton Pereira da candidatura a deputado estadual, com isso aceito o convite do presidente estadual do União Brasil para assumir a Secretaria geral do partido em Santa Catarina, abriu espaço para especulações e análises no cenário político estadual.
Inicialmente, a justificativa apresentada foi de ordem pessoal, relacionada à saúde. Nos bastidores, surgiram comentários sobre possíveis divergências com o atual prefeito de Araquari, seu sucessor. No entanto, como em muitos movimentos políticos estratégicos, apenas o próprio Clenilton conhece as razões definitivas de sua decisão.
O fato é que a desistência ocorre em um momento de rearranjo de forças para 2026 — e isso nos permite algumas leituras possíveis.
1. A vaga de vice no jogo estadual
Com a escolha de Adriano Silva como possível vice na chapa do governador Jorginho Mello, o tabuleiro político ganha novas combinações.
Nesse cenário, abre-se espaço para que lideranças do Norte do Estado sejam valorizadas em outras composições. Um nome como o de Clenilton, com forte aprovação regional e experiência executiva, poderia perfeitamente encaixar-se como vice em uma eventual candidatura de João Rodrigues ao governo.
Seria uma composição geopolítica interessante: Oeste e Norte unidos em uma mesma chapa, equilibrando forças regionais e ampliando capilaridade eleitoral.
2. O Norte como ativo estratégico: possível suplência ao Senado
Outra hipótese plausível envolve o Senado. Esperidião Amin, figura histórica da política catarinense, pode disputar nova eleição ou compor alianças que exijam suplência estratégica.
Nesse contexto, Clenilton surge como nome competitivo para primeiro suplente. Jovem, com bom trânsito político e bem avaliado no Norte, agregaria força regional à chapa. A suplência, muitas vezes subestimada pelo eleitor, é peça-chave nas articulações partidárias.
3. O tempo como estratégia
Há ainda uma terceira hipótese — talvez a mais silenciosa, porém não menos inteligente: não ser nada disso.
Clenilton pode simplesmente estar fazendo política com cálculo de tempo. Após um mandato intenso como prefeito, pode optar por recuar momentaneamente, cuidar da família, dos negócios e observar o cenário de “camarote”, acumulando capital político para um eventual retorno à Prefeitura de Araquari.
Na política, saber a hora de avançar é importante. Mas saber a hora de esperar pode ser ainda mais estratégico.
Conclusão: silêncio que fala,
A desistência de um cargo partidário nunca é apenas um gesto administrativo. É um movimento no tabuleiro.
Em Santa Catarina, onde alianças se constroem com base regional e equilíbrio de forças, nomes como o de Clenilton Pereira não saem do jogo — apenas mudam de posição.
Em conversa com o Clenilton ele disse que “a pré-campanha estava muito boa, mas muito boa mesmo, mas em conversa com a minha família, decidimos que este não era o momento pra ser candidato, então vou continuar no processo politico, mas como secretario do partido Uniao Brasil, e coordenando as ações do partido”.
Se será vice, suplente ou novamente candidato a prefeito, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: em política, quem se retira nem sempre está recuando. Muitas vezes, está apenas escolhendo melhor o momento de voltar.




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