Wagner Dias - PodMorar
O Futuro bate à porta e ela não tem chave
Tem coisas que a gente só percebe que mudaram quando alguém nos convida a olhar para trás. Foi exatamente assim quando Neuton Pacher, fundador da Halsten Incorporadora, sentou-se diante dos microfones do PodMorar, para sua primeira participação em um podcast. Uma pessoa que raramente aparece na frente das câmeras, mas que carrega na bagagem mais de duas décadas observando, estudando e – principalmente – transformando a forma como as pessoas habitam suas casas.
Neuton veio da indústria. E daquela velha indústria dos anos 1990 que ainda respirava graxa, cronograma rígido e produção artesanal. E talvez seja por isso que hoje ele enxergue com tanta nitidez o tamanho do atraso – e da oportunidade – que existe na construção civil.
“Enquanto automóveis viraram computadores sobre rodas,” ele disse, “a construção civil ainda estava com um pé na era do artesão.”
Porque se você fechar os olhos e lembrar do zelador dos prédios nos anos 80, verá aquele molho de chaves pendurado na cintura – pesado, barulhento, quase uma extensão do próprio corpo.
Mas hoje?
O zelador de um prédio moderno pode nem estar lá fisicamente. E se estiver, não carrega uma única chave no bolso.
A cena parece simples, mas é uma síntese do que Neuton defende: a tecnologia entrou pelas portas dos empreendimentos – muitas vezes literalmente – e mudou a regra do jogo.
Quando o morador vira usuário
Portaria virtual, acesso por reconhecimento facial, fechaduras digitais e apartamentos capazes de “conversar” com seus moradores.
Se o passado dependia da habilidade do artesão, o presente depende da inteligência do projeto.
A Halsten, por exemplo, já entrega empreendimentos onde o morador entra no prédio como quem desbloqueia o celular. É o fim da pergunta “você pegou a chave?”.
E se você pensa que isso é luxo, Neuton discorda: virou hábito. Virou necessidade. Virou padrão.
Aliás, o ritmo das mudanças é tão rápido que até hábitos domésticos vêm derretendo diante dos olhos dos incorporadores.
O quartinho da doméstica? Sumiu.
Lavanderia dentro do apartamento? Já não faz sentido para boa parte da nova geração.
Cozinha fechada? Só nos apartamentos antigos – hoje o fogão divide espaço com risadas, visitas e pedidos de delivery.
Não é à toa que coworkings se tornaram quase tão comuns quanto salão de festas. Cada vez mais, a vida acontece dentro de casa – ou perto dela.
BIM, sustentabilidade e o “cubo” que guarda energia
Para quem acha que tecnologia é sinônimo de botão, aplicativo ou assistente virtual, Neuton joga luz sobre outro lado: o da construção em si.
Ele explica o BIM como quem apresenta uma verdade óbvia: “A primeira grande revolução da construção civil não está no apartamento – está no projeto”.
Um modelo 3D que antecipa tudo: o cano que não pode cruzar, o revestimento ideal, o melhor método construtivo.
Menos erro, menos custo, menos desperdício.
E por falar em desperdício, sustentabilidade no vocabulário da Halsten não é só água de chuva e energia solar.
É reduzir demolições desnecessárias.
É planejar melhor para não gerar entulho.
É testar elevadores que guardam a energia desperdiçada na descida para reaproveitar depois.
É fazer com que o prédio consuma menos da cidade e devolva mais para os moradores.
Um futuro que exige menos força e mais técnica
No entanto, talvez a reflexão mais profunda tenha surgido quando Neuton falou da mão de obra.
O avô construtor passou para o pai, que passou para o filho.
Mas agora?
O filho não quer seguir o ofício. A construção civil está envelhecendo – e rápido.
A conta não fecha.
E quando a mão do artesão começa a rarear, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ser sobrevivência.
Por isso a Halsten estuda, testa, contrata consultorias, busca referências de arranha-céus para melhorar a performance de seus empreendimentos.
Porque, no fundo, construir deixou de ser erguer paredes. É antecipar o amanhã.
E, no fim das contas
Neuton fala de tecnologia com a serenidade de quem entende que ela não é o futuro – é o presente.
É o que já está nos elevadores, nos portões, nos apartamentos, nos corredores e até no bolso da calça (ou fora dele, já que nem a chave precisa mais estar lá).
E quando olhamos para tudo isso com calma, percebemos que morar não é mais apenas ocupar um espaço: é viver uma experiência.
Uma experiência que começa muito antes de receber as chaves.
Até porque, se depender de Neuton e da Halsten, as chaves já ficaram no passado.



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