Léia Alberti

Relatividade da felicidade

A grama mais verde também é a mais macia?

Bora Coprodução
Relatividade da felicidade Relatividade de felicidade

A conversa com um amigo de longa data me fez revisitar a forma como enxergamos nossas próprias conquistas. Ambos viemos de famílias simples, trabalhamos desde cedo e sempre fomos vistos como “certinhos demais”. Lutamos para concluir nossos estudos, seguimos trabalhando enquanto muitos ao redor apenas se divertiam, e construímos nossa vida com esforço — casamento, filhos, casa própria, trabalho honesto.


Com o tempo, percebemos que alguns antigos colegas dizem ter “inveja da sorte” que tivemos, como se nada tivesse sido conquistado por escolhas e renúncias. E isso nos fez refletir sobre a velha ilusão de que “a grama do vizinho é mais verde”, sem notar o quanto cuidamos da nossa própria.


A felicidade, afinal, é relativa. Para uns, ela está no consumo e na ostentação; para outros, em viagens; para muitos, em um lar aconchegante, rotina tranquila e pouco barulho. Não dá para ter tudo ao mesmo tempo: cada escolha exige renúncia. Não existe vida de balada e, ao mesmo tempo, casamento sólido; nem liberdade adolescente com a responsabilidade de criar filhos.


Com a maturidade vem também a seletividade. O ciclo diminui, e permanecem aqueles que têm afinidade com nossa forma de viver. No fim, nossa vida é o reflexo direto das escolhas que fazemos — e a colheita nunca é imediata. Não existe felicidade certa ou errada, mas existe coerência: é impossível plantar uma coisa e esperar colher outra.



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