Léia Alberti
Divisão do trabalho doméstico
Divisão de tarefas é sobre parceria, não sobre feminilidade ou masculinidade
Divisão do Trabalho domésticoMuito se tem falado sobre mulheres estarem “perdendo a feminilidade” e homens, a “masculinidade”, como se essas características estivessem diretamente ligadas às atividades desempenhadas dentro de casa. Primeiro, as mulheres buscaram a independência financeira — movimento legítimo e necessário. Em resposta, não foram poucos os homens que ironizaram: “Querem igualdade? Então que cortem a própria lenha.” E elas, talvez para provar força, competência ou autonomia, fizeram exatamente isso. Absorveram o trabalho fora de casa e mantiveram, quase intactas, as responsabilidades do lar. O resultado? Não foi liberdade plena, foi sobrecarga.
Com o tempo, a realidade bateu à porta. Trabalhando fora, muitas mulheres perceberam que a casa não podia mais ser uma obrigação exclusiva sua. As relações evoluíram, os acordos mudaram e, em muitos lares, os homens passaram a assumir sua parte nas tarefas domésticas. Em outros, encontrou-se uma saída igualmente justa: pagar uma diarista, com a despesa dividida entre ambos. Uma solução prática, honesta e perfeitamente válida. O que não vale é terceirizar tudo e, ainda assim, justificar a própria ausência com discursos vazios sobre identidade.
E aqui é preciso ser clara: não se trata de feminilidade ou masculinidade. Trata-se de responsabilidade, equilíbrio e parceria. A casa não é um teste de virilidade nem um palco para disputas ideológicas — é um espaço de convivência. Não justifiquem a preguiça de fazer a própria parte com o medo de “perder a masculinidade”. Acreditem: mulheres admiram homens parceiros. Eu até perguntaria se os desentendidos de plantão gostariam que eu desenhasse, mas esta coluna continua sendo apenas escrita.
Obs: lavar louça, tirar o lixo, dobrar as própias roupas não é prejudicial à saúde e não cai nenhum dedo.



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